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Irã e Israel dizem que interromperam ataques um contra o outro por enquanto

Reuters
Irã e Israel dizem que interromperam ataques um contra o outro por enquanto
Irã e Israel dizem que interromperam ataques um contra o outro por enquanto

Por Parisa Hafezi e Nayera Abdallah e Steven Scheer

DUBAI/JERUSALÉM, 8 Jun (Reuters) - Irã e Israel anunciaram na segunda-feira a suspensão dos ataques mútuos após um apelo do presidente dos EUA, Donald Trump, para que parassem imediatamente com os disparos, embora Teerã tenha afirmado que retomará os ataques caso Israel siga atingindo o Hezbollah no Líbano.

A onda de ataques nas últimas 24 horas representou o confronto mais direto entre Irã e Israel desde o cessar-fogo de abril, ameaçando comprometer os esforços de Washington para chegar a um acordo com Teerã e encerrar a guerra de mais de três meses.

Os preços do petróleo, que chegaram a subir 5% após a série de ataques, recuaram posteriormente, quando as Forças Armadas iranianas anunciaram o fim da primeira onda de ataques contra Israel. O dólar recuou de sua maior cotação em quase dois meses.

Uma fonte a par do assunto disse à Reuters que Israel também decidiu suspender seus ataques contra o Irã.

Israel atacou alvos iranianos depois que Teerã disparou mísseis em direção ao território israelense no final do domingo. Teerã afirmou que seus ataques foram uma retaliação aos ataques israelenses contra redutos do Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, nos arredores de Beirute.

Israel atingiu uma fábrica petroquímica no sudoeste do Irã, que, segundo alegou, era usada para produzir mísseis balísticos. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) disse ter retaliado com um ataque contra uma fábrica israelense semelhante na cidade de Haifa.

"RESPOSTA DOLOROSA"

O quartel-general militar do Irã declarou ter "dado uma resposta dolorosa" contra Israel por seus ataques ao Líbano, incluindo os ataques de domingo nos arredores de Beirute.

"As operações das Forças Armadas são declaradas suspensas; contudo, ressalta-se que, se as agressões e atos de maldade continuarem — inclusive no sul do Líbano — medidas muito mais severas e repressivas do que as anteriores serão tomadas."

A troca de agressões complicou os esforços de Trump para encerrar a guerra, iniciada por EUA e Israel em 28 de fevereiro, e ressalta a facilidade com que o conflito pode se alastrar para uma confrontação regional mais ampla. Um cessar-fogo anunciado em 8 de abril interrompeu a guerra total, mas confrontos no Golfo continuaram.

Em uma de suas várias postagens nas redes sociais, Trump disse que Israel e Irã queriam "um CESSAR-FOGO imediato! As negociações finais sobre a 'Paz' estão em andamento, sujeitas à ignorância ou à estupidez que possam atrapalhar". Ele acrescentou que o bloqueio norte-americano aos portos iranianos permaneceria em vigor até que um acordo final fosse alcançado.

Uma autoridade israelense afirmou que Trump conversou com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu na segunda-feira.

Anteriormente, um oficial militar israelense disse que Israel estava preparado para continuar as operações "pelo tempo que for necessário" e confirmou ataques a sistemas de defesa aérea iranianos recém-reconstruídos, além do alvo petroquímico.

Autoridades iranianas adotaram um tom igualmente desafiador. Uma fonte militar citada pela agência de notícias semioficial Tasnim afirmou que Teerã está preparada para um conflito prolongado e pode retomar os ataques contra interesses dos EUA na região.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, disse que Teerã está trocando mensagens com Washington em um clima de "extrema suspeita". As ações de Israel no Líbano, realizadas com ou sem o conhecimento e consentimento dos EUA, visam sabotar a diplomacia, acrescentou.

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