O decreto que reduz em 25% a alíquota do IPI para alguns produtos, leva, sim - e nisso os políticos têm razão - uma casquinha dos benefícios fiscais que as empresas estabelecidas em Manaus usufruem para produzir pouco emprego e fazer caixa em dólar: produto de real valor que exportam para suas matrizes.
Os políticos amazonenses andam assanhados. Cada um, ao seu estilo, atirando para os lados. Mas o alvo é o presidente Jair Bolsonaro, que deu a eles o discurso eleitoral que faltava: a suposta ameaça à Zona Franca de Manaus. O decreto que reduziu a alíquota do Imposto Sobre Produtos Industrializados em 25% seria um golpe mortal ao modelo de desenvolvimento regional. Um deputado ameaçou levar o caso ao Tribunal Superior Eleitoral, alegando que o presidente cometeu crime. Bobagem. Vai dar em nada. Até a decisão da Yamaha de suspender a produção de motocicletas foi atribuída ao decreto. A razão é outra: a falta de insumos procedentes de países asiáticos.
A Zona Franca de Manaus, para a classe politica, é uma religião, um fim em si mesma e o dízimo é o voto. O eleitor, sempre no cabresto, vai achar que o que os políticos dizem será fato consumado em um futuro próximo: desemprego e fome. Que aliás há em larga escala em Manaus, porque eles falam muito e realizam pouco, fazem parte de uma elite que se locupleta com as benesses do governo e do cargo que ocupam - imaginem - para defender o povo!
O decreto leva, sim, e nisso eles têm razão, uma casquinha dos benefícios fiscais que as empresas usam para produzir pouco emprego e fazer caixa em dólar, o produto de real valor que exportam para suas matrizes.
Mas não liquida a Zona Franca, não vai produzir 500 mil desempregos - como diz o Centro das Indústrias do Estado do Amazonas. Primeiro, porque o Amazonas não emprega 500 mil pessoas. Segundo, porque, se isso ocorrer no longo prazo - e deve ocorrer em 10 ou 15 anos - a culpa será da classe politica, que sabe gritar, mas não ajuda, não articula, não conversa, não interage, não pensa, não projeta o futuro, é ausente nas decisões que dizem respeito aos interesses da região.
Melhor fez o vice-governador Carlos Almeida, que ingressou na justiça pedindo a suspensão do decreto para a partir de então discutir sua eventual interferência em um modelo constitucionalmente assegurado.
É um caminho para dirimir dúvidas, estabelecer parâmetros, assegurar direitos. O resto é conversa fiada, tentativa de ganhar manchetes e o coração do eleitor.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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