A entrada do diretor-executivo da Abraciclo no debate em torno da redução linear do IPI pelo Governo Bolsonaro tornou o tema Zona Franca de Manaus um drama, típico das novelas mexicanas. Paulo Takeuchi iniciou o artigo publicado no site do Centro das Indústrias do Estado do Amazonas(CIEAM), com uma defesa apaixonada das empresas sediadas em Manaus: “Não somos maquiadores, como alguns sempre tentaram insinuar.” No atual debate ninguém disse isso. Também ninguém acusou os empresários - em nenhum momento e em época alguma - de serem "os responsáveis pela falta de alternativas econômicas ao modelo ZFM".
Essa critica foi sempre direcionada à elite politica local, sabidamente desatenta, interessada no presente e nas riquezas das quais usufruiu ou usufrui, sem planejar o futuro do Estado do Amazonas.
Ao contrário do que diz Paulo Takeuchi, não é apenas função dos empresários, favorecidos com generosos incentivos fiscais,"gerar empregos e renda”. É dever, não favor, como parece entender o executivo da Abraciclo.
O empresário é correto na sua análise quando lembra que as indústrias foram chamadas a investir na região em 1967 na intenção de reduzir as desigualdades sociais. Mas lá se vão 55 anos.
As mudanças, se ocorreram, não foram na medida esperada e nem é essa uma responsabilidade dos empresários. É responsabilidade da classe política. Neste ponto, outra vez, Paulo Takeuchi tem razão.
Outro ponto frágil do artigo publicado pelo empresário no site da CIEAM é a falta de percepção de que compromissos têm que ser assinados. Políticos e empresários acreditaram - imaginem só - na palavra do ministro Paulo Guedes, de que evitaria penalizar a Zona Franca de Manaus em eventual reforma tributária. Eles acreditaram… em palavra, em conversa entre um gole de Wisky John Walker & Sons King George e um tira gosto com anéis de lula e cogumelos… Deu no que deu e parece irreversível.
Mas o diretor-executivo da Abraciclo, Paulo Takeuchi, no mesmo artigo, toca em um tema esquecido e que deveria ser a bandeira dos políticos locais. As taxas que as indústrias recolhem junto à Superintendência da Zona Franca de Manaus ( Suframa). São mais de R$ 2 bilhões, contingenciados desde o governo Fernando Henrique, em razão de eventual desequilíbrio financeiro do País.
Mas é um dinheiro da Suframa, que poderia ser investido em estradas, pavimentação de rodovias, inclusive a BR 319.
Os políticos do Amazonas, que gritam, esperneiam, plantam bananeira para ganhar votos, precisam trabalhar para que esse recurso, fundamental para investimentos, saia do controle do governo federal e venha para a região, promovendo empregos e desenvolvimento.
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Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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