As indústrias fazem uma aposta e levam, mas nunca pensaram de fato em deixar o banquete fiscal, via Zona Franca de Manaus, que o Estado do Amazonas oferece.
A Zona Franca de Manaus, para os políticos amazonenses, é mais que um modelo de desenvolvimento regional. É um partido, que une da direita, passando pelo centro, à esquerda. O discurso que garante eleição e produz seus "meios heróis", alguns arrogantes, como se deles dependesse o futuro de um modelo que começou a se esgotar. É o único tema para o qual os políticos, das mais diversas tendências, têm a mesma ideia, o mesmo raciocínio: “a ZFM mantém a floresta em pe’. ‘Não mexam com a ZFM”.
O discurso é bom, mas vazio, atrasado - como aliás toda a classe politica, que em meio século virou as costas para um Estado que ancorou seu desenvolvimento em um projeto criado para abrir portas, permitir a construção de pontes. O Amazonas teria que ter construído o resto - um modelo de desenvolvimento que a riqueza produzida permitia. Mas não. Os políticos nada fizeram, esbanjaram muito, gastaram muito, se envolveram - a grande maioria - em corrupção.
A Zona Franca ainda é forte, apesar da falta de ideias, de esforço, de vontade politica para projetos de desenvolvimento mais consistentes. Não que venham substitui-la, mas garantir que a riqueza compartilhada por poucos seja melhor distribuída.
A choradeira dos políticos é uma farsa. São atores de uma novela com enredo que eles criaram. Mas o fato de permanecerem vesgos ou míopes, favorece a uma indústria interessada em tirar o mais que puder do Estado. Permite uma certa chantagem: "ou o Estado abre mão de mais isenção fiscal, menos ICMS ou vamos embora". As indústrias fazem uma aposta e levam, mas nunca pensaram de fato em deixar o banquete fiscal, via Zona Franca de Manaus, que o Estado do Amazonas oferece.
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Anteontem falei no terrorismo que empresários e políticos estão fazendo em torno de uma decisão do governo federal de reduzir o Imposto Sobre Produtos Industrializados em 25%. Os estados recebem 50% do IPI, a outra metade fica com a União. Em Manaus, as indústrias são isentas de 100% do que é repassado para o Estado. Falei que as vantagens comparativas permanecem, porque as empresas aqui estabelecidas usufruem de isenção de impostos como o IR, o PIS, o Cofins e parte do ICMS, benefícios que as industrias instaladas em outras regiões não têm. Mas eles continuaram promovendo terrorismo, falando em desemprego e até que a UEA - Universidade do Estado do Amazonas - está ameaçada. Não está. É um terrível equivoco, má fé mesmo, uma tentativa politica de espalhar o pânico.


Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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