Um agente penitenciário foi provavelmente morto por envenenamento em presídio de Manaus, enquanto túneis eram abertos em meio a projeto de fuga. Nada anormal num sistema penitenciário falho, no qual as organizações criminosas dominam e impõem suas próprias regras.
No Compaj, túneis abertos semana passada indicam que a vigilância é precária e que todo o sistema precisa ser repensado.
Um presídio é um lugar de sonhos perdidos, de crimes confessados ou não - de injustiças também.
Um espaço onde vicejam a dor e o ódio, sentimentos capitalizados pelas organizações criminosas.
Quem entra não se regenera. Quem ganha a liberdade, sai pior, mais perigoso, mais afeito ao crime.
Há tanta gente em espaço diminuto que muitos apanham por defecar, como se essa necessidade básica fosse privilégio dos chefes e soldados que, mesmo presos, comandam o crime nas ruas da cidade.
O fato é que o sistema prisional consome milhões de reais mensais para sua manutenção, mas fracassa na ideia de regenerar, de reformar o homem para a sociedade.
A morte do agente penitenciário Francisco Aldimar Souza Alencar - o cara que jogava duro e tentava barrar regalias de pequenos grupos, apenas demonstra que uma prisão não é apenas o pior lugar do mundo para quem perde a liberdade. É também o inferno para aqueles que tentam impor limites a certos privilégios e acabam pagando um preço alto: com a vida.
Obs: um preso - Daniel Costa de Oliveira - morreu no dia 13, depois de ser espancado por outros presidiários no Complexo Anísio Jobim. Como isso pode acontecer em unidade vigiada?
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Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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