
O presidente Bolsonaro fez uma provocação aos senadores Omar Aziz (PSD-AM) e Eduardo Braga (MDB-AM), membros da CPI da Covid e críticos do seu governo: " o que seria de Manaus sem a Zona Franca, criada pelos militares? ”. Bolsonaro não disse de forma explícita que tenha a intenção de acabar com a Zona Franca de Manaus, mas se dirigiu diretamente aos dois senadores do Amazonas. Não fez isso inocentemente, suas palavras escondem uma ameaça , uma tentativa de intimidação.
Não colou, mas atiçou seus cegos seguidores nas plataformas digitais e acabou duramente criticado pelos dois senadores.
Bolsonaro sabe que não tem poderes para acabar com o modelo industrial de Manaus, mas pode sufocá-lo, reduzindo subsídios, isentando de impostos a importação de produtos similares aos fabricados na Zona Franca.
Mas Bolsonaro sabe, como poucos governantes, usar de chantagem para isolar ou tentar enquadrar adversários, expô-los como se fossem vilões diante de eleitores desavisados.
Nem Omar Aziz nem Eduardo Braga se intimidaram diante de um presidente decadente, com apoio popular em declínio e com sérios problemas envolvendo corrupção em seu governo - das rachadinhas do filho às denúncias de malfeitorias no Ministério do Meio-Ambiente.
E vem mais lixo palaciano por aí.
Fora as omissões diante de uma pandemia que matou até esta sexta-feira 450 mil brasileiros.
A CPI da Covid começa a entrar nos porões bolsonaristas, onde o vírus nasceu. Há pus que deve ser drenado para impedir que essa infecção, que também é moral, se generalize e mate mais brasileiros
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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