Bastidores da Política - Guedes delira ao falar da Amazônia e dos bolsões de pobreza em Manaus


Guedes delira ao falar da Amazônia e dos bolsões de pobreza em Manaus

Por RAIMUNDO DE HOLANDA

05/11/2021 18h39 — em Bastidores da Política

Tecnologia Verde, ministro, é  outra coisa. Exige investimento em pesquisa, em capital intelectual, no fortalecimento das universidades. E o que mais o Brasil tem perdido durante o governo Bolsonaro são cérebros.  Ao contrário do que diz o ministro, a Amazônia não precisa nem do Google, nem da  Apple ou da Tesla. A Amazônia precisa de um governo que olhe para ela, para a sua biodiversidade e entenda que essa é uma riqueza  inestimável

O ministro Paulo Guedes delirou literalmente ao defender incentivos fiscais para a Tesla, o Google e a Apple caso queiram se instalar na Amazônia, para ele, “o novo vale do silício verde”. E misturou Las Vegas, a terra do jogo, com turismo ambiental na floresta. Pior, atacou o atual modelo de desenvolvimento regional, ao dizer, durante  painel da Conferência sobre o clima que vem sendo realizado em Glasgow, na Escócia, que “há uma atividade industrial obsoleta na região, que produz cinturões de pobreza e deixa a população vulnerável, como foi vista em Manaus durante a Covid 19". Referia-se a quê, senão a Zona Franca de Manaus? Não precisou citar a ZFM nominalmente, mas está explícito em sua fala.

A questão é elementar: o que tem a Tesla, o Google ou a Apple com a Amazônia? As atividades que desenvolvem nada tem a ver com o legado que a região pode oferecer para o futuro da humanidade. Tecnologia Verde é  outra coisa, exige investimento em pesquisa, em capital intelectual, no fortalecimento das universidades. E o que mais o Brasil tem perdido durante o governo Bolsonaro são cérebros.

Agora mesmo há uma proposta de dividir ao meio a Fundação Universidade do Amazonas para dar origem a uma outra instituição, não porque o governo queira descentralizar nada, desenvolver a ciência, expandir o conhecimento. A ideia é outra:  empregar políticos, cabos eleitorais e militares decadentes.

O vale do silício é uma somatória de investimento, pesquisa,  inovação tecnológica. E as grandes empresas ali instaladas  não surgiram do dia para a noite: foram crescendo a partir do momento em que faziam descobertas, pesquisaram e ajudaram os Estados Unidos a ser o que são hoje.

Ao contrário do que diz o ministro, a Amazônia não precisa nem do Google, nem Apple ou da Tesla. A Amazônia precisa de um governo que olhe para ela, para a sua biodiversidade e entenda que essa é uma riqueza  que pode ser explorada a partir de suas universidades, de seus institutos de pesquisa, quase todos falidos pela o desprezo do governo Bolsonaro com a ciência.

Guedes, como contador de histórica tem um discurso irretocável. Mas  suas histórias não tem pé nem  cabeça. Nem as criancinhas entendem como o ministro consegue ser tão infantil e vulgar.

O mais impressionante é o espaço que a mídia  dá a declarações que  fogem à realidade, são claramente um subterfúgio, uma maneira  de autoengano e de fuga de um mundo novo do qual o Brasil se tornou um pária.

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.