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Entenda porque Bolsonaro continua competitivo e com chances de reeleição


Por Raimundo de Holanda

18/06/2022 19h26 — em
Bastidores da Política



Iludem-se os que pensam que Jair Bolsonaro está fora do jogo político e que pode perder a eleição no primeiro turno. O presidente – gostemos ou não dele - tem um eleitorado cativo – a multidão que o recebeu em Manaus é apenas um exemplo. Pensar diferente é não compreender a força de seus seguidores mais fanáticos – especialmente pastores evangélicos, com amplo domínio sobre multidões que veem o sofrimento, a fome, a miséria como forma de crescimento espiritual. Sofrer, para essas pessoas, é a forma de se aproximar de Deus e ter um lugar seguro no céu.

Não cabe aqui falar de escrúpulos – se pastores gozam dessa inquietude espiritual ou têm remorsos pelo que dizem e pela confusão que fazem dos evangelhos – mas eles lideram rebanhos imensos, gente que vota em nome da ideia de que os indicados por eles são enviados por Deus.

É esse o público que lotou os encontros do presidente em Manaus, indiferente ao aumento da gasolina, do gás de cozinha que empurra para o alto os preços do arroz, do feijão, do pão e do transporte coletivo.

De outro, grupos abastados e afoito, fanáticos, agressivos e armados, apostando no quanto pior melhor. Não formam uma minoria, como muitos pensam. Estão em todos os lugares – nas forças de segurança, nas associações de classe, no empresariado.

Compõem uma fatia nada desprezível do eleitorado. Talvez vejam em Bolsonaro o que eles têm de mais primitivo: o ódio aos negros, as mulheres, as opções sexuais que fogem à relação homem-mulher.

Num país dominado por esses grupos – que transforma carros da policia Rodoviária Federal em câmera de gás e mata em público um negro – é temerário dizer que Bolsonaro não é ou não está competitivo eleitoralmente em razão dos desacertos de seu governo.

Mas e aí, qual a saída? Como mudar a mentalidade dessa gente? É difícil, mesmo porque a mídia comete o sério erro de fazer propaganda diariamente para Bolsonaro – ao falar dele incessantemente, ao critica-lo diariamente, acaba por vitimizá-lo.



Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.