
Ao esvaziar as atribuições da superintendência do DNIT no Amazonas e concentrar contratos e serviços da BR 319 em Porto Velho, o presidente Bolsonaro pode ter pretendido provocar seus desafetos políticos no Estado. Mas o resultado foi exatamente o oposto: deu-lhes o discurso que precisavam para recuperar a conexão perdida com os eleitores.
Bolsonaro, sempre passional, tem uma imensa dificuldade de se comunicar com a sociedade. No caso da BR 319, bastaria dizer a verdade uma única vez: que a rodovia, especialmente o chamado trecho do meio, de 700 quilômetros, rico em biodiversidade de fauna e flora, não será asfaltada, nem agora e nem depois, especialmente porque o mundo entende que ali pode começar a destruição total da floresta Amazônica.
Se os amazonenses querem a rodovia asfaltada, vão ter que esperar. E esperar muito. Alguém precisa fazê-los acordar desse sonho impossível nos dias atuais.
A rodovia asfaltada é uma espécie de Terra Prometida, mas inalcançável...
O resto é oba-oba, dinheiro jogado fora em trechos que logo são engolidos pelos igarapés e rios.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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