As vaias que o governador Wilson Lima vem recebendo, em encontros abertos, podem ter o dedo de opositores, mas não todos os dedos. Atribuir manifestações espontâneas a incitação oposicionista é não compreender que o momento é outro e que, mais do que nunca, ele precisa exorcizar os demônios que surgiram nos últimos dois anos e de certa forma habitaram o seu governo – produtos de uma pandemia inesperada e avassaladora.
Culpar o governador por todo o infortúnio ocorrido naquele período é cruel, mas também é fato que demandas exigidas não foram contempladas ou ocorreram de forma improvisada.
Na prática, a estrutura de saúde, que não era nova, nunca foi preparada para enfrentar eventuais desastres ou pandemias. Aí reside o benefício da dúvida quanto a culpa do governador pela dimensão que o problema tomou no auge da Covid 19 no estado.
Mas não nos cabe ensinar qual unguento que Wilson deve colocar nessa ferida, vê-la cicatrizada e reconstruir a imagem moderna e avançada que o levou ao governo em 2018 com mais de um milhão de votos. Isso porque ele não é mais uma novidade.
O governador entra na disputa pela reeleição atrás do ex-governador Amazonino Mendes, adversário dele em 2018 – e com um histórico de realizações invejável.
Tudo - ou quase tudo - que o Estado tem leva a marca de Amazonino. Não é mais uma batalha entre o novo e o velho. Caso se confirme a polarização entre os dois – na eventualidade de o senador Eduardo Braga desistir da disputa – o eleitor dessa vez vai comparar menos a juventude, e mais projetos e legados.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

Aviso