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Mercúrio usado no garimpo contamina peixes e compromete a saúde humana

Por Portal do Holanda

26/11/2021 12h02 — em
Amazonas


Riscos de doenças crônicas são reais para quem consome pescado contaminado com esse mineral / Foto: Silas Laurentino

Lesões principalmente no cérebro, rins, fígado e no coração são os principais riscos para a saúde da população que consome diariamente os peixes contaminados pelo mercúrio usado na atividade ilegal de garimpeiros.

O alerta vem de pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) ouvidos pelo G1.

“O minério despejado nos rios entra na cadeia alimentar dos animais e afeta diretamente a saúde das populações tradicionais, as principais consumidoras desse pescado”, disse o médico e pesquisador em saúde pública da Fiocriz, Paulo César Basta, ao comentar a invasão de centenas de garimpeiros no Rio Madeira, nas proximidades da cidade de Autazes (a 113 Km de Manaus. 

Os garimpeiros formaram uma “vila flutuante” no local para exploração ilegal de ouro.

De acordo com o médico, o mercúrio usado pelos garimpeiros afunda no leito do rio e, consequentemente, será consumido por peixes.

No fundo do rio, o minério sofre um processo de transformação química mediada por microrganismo, se transformando numa forma química ainda mais tóxica, o metil mercúrio, e entra na cadeia alimentar desse pescado.

RISCOS

De acordo com o pesquisador, os povos tradicionais da Amazônia possuem o hábito alimentar de pescado diariamente e esse hábito os coloca sob alto risco de contaminação pelo metil mercúrio.

“Quando esse povo tradicional come o peixe contaminado, ele vai ser absorvido no trato gastrointestinal e vai entrar na corrente sanguínea, sendo absorvido pelo corpo. Do jeito que o mercúrio acumula no peixe, ele também acumula no corpo do ser humano", explicou Basta.

Com o consumo diário do peixe contaminado pelo mercúrio, o corpo não tem tempo de eliminar, e ele vai acumulando. “Nisso, ele vai provocando lesões em órgãos, principalmente no cérebro, rins, fígado, e no coração”, alertou o especialista.

Entre os efeitos para a saúde de uma pessoa adultos cronicamente contaminada, ela terá desde sintomas sensitivos, até os motores, e também podem causar alterações comportamentais.

“Dentre as alterações nos órgãos de sentido mais comuns estão diminuição da sensibilidade nas mãos e pés, deficiência na sensação de calor ou frio, zumbido no ouvido, paladar com gosto metálico, olfato prejudicado e a visão começa a tubular”, explicou o médico.

As pessoas podem ainda, campo motor, sofrer com tremores nas mãos e pés, fraqueza, dificuldade para segurar copo, subir escada e até ter tontura. 

As alterações também comprometem a memória, aprendizado e comportamento, com sintomas de depressão e ansiedade, por exemplo.

São alterações que muitas vezes são subclínicas e podem ser confundidas com sintomas de outras doenças.

Em um grau mais grave, que leva a mortalidade, a maior recorrência é em crianças. A mulher grávida, por intermédio do sangue do cordão umbilical, pode transmitir o mercúrio para o bebê que está em formação na barriga dela. Se as taxas de contaminação da mãe forem muito altas, a criança pode nascer com sintomas graves, como má formação, paralisia cerebral e até vir a óbito, alertou.

BIÓLOGO

Outro especialista ouvido pelo G1, o biólogo Jansen Zuanon, do Inpa, doutor em Ecologia de pesca, afirmou que a invasão de garimpeiros no rio Madeira prejudica a vida aquática por diversas razões, desde a perturbação dessa fauna quanto pela contaminação direta da mesma.

De acordo com ele, no momento em que se retira os sedimentos do fundo do rio, sugado por uma mangueira, triado ou filtrado por minérios tóxicos, ele joga um líquido para dentro da água, onde vão se formando o se chama de “arrotos de draga”, que são montes de seixo e areia que ficam acumulados no rio.

Nesse processo, ele suspende o sedimento do fundo do rio, e acaba deixando a água ainda mais turva, por revolver toda a camada usada pelos peixes usam para a alimentação, e ainda causa esse problema para navegação, por conta desse acúmulo de areia e seixo ao longo do rio.


O Portal do Holanda foi fundado em 14 de novembro de 2005. Primeiramente com uma coluna, que levou o nome de seu fundador, o jornalista Raimundo de Holanda. Depois passou para Blog do Holanda e por último Portal do Holanda. Foi um dos primeiros sítios de internet no Estado do Amazonas. É auditado pelo IVC e ComScore.

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