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Controle glicêmico

Estudo indica que fruto do guaraná tem potencial para controlar diabete tipo 2

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Foto: Felipe Rosa/Embrapa Foto: Felipe Rosa/Embrapa
Foto: Felipe Rosa/Embrapa

Os benefícios do guaraná (Paullinia cupana) para a saúde vão além das conhecidas funções energéticas promovidas pela cafeína. Os compostos fenólicos presentes nas sementes e no fruto possuem ação bactericida, anti-inflamatória e anti-hiperglicêmica, sendo este último agindo em enzimas que controlam a diabete do tipo 2. Pesquisadores do grupo da professora Elizabeth Aparecida Ferraz Silva Torres, do Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, estiveram envolvidos nas recentes descobertas que demonstraram as propriedades dos compostos fenólicos provenientes do guaraná.

A caracterização das propriedades bioativas do fruto do guaranazeiro também levou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a incluí-lo na lista de ingredientes 

Recentemente, a nutricionista Cintia Pereira da Silva, uma das pesquisadoras do grupo da professora Elizabeth, observou em laboratório que algumas substâncias bioativas do guaraná (as catequinas) poderiam agir no controle glicêmico do diabete do tipo 2, inibindo as atividades das enzimas α-glicosidase e α-amilase, ambas responsáveis pelo controle da glicose no sangue.

Para chegar a esses resultados, a pesquisadora diluiu as enzimas α-glucosidase e α-amilase em concentrações fisiológicas e as colocou em contato com uma solução de amido para simular a digestão de carboidratos no estômago. “Em seguida, comparamos a solução de amido com e sem guaraná para verificar a quantidade de glicose disponível na solução. Com a presença do extrato de guaraná, rico em catequinas, a atividade enzimática foi menor, ou seja, o guaraná reduziu e inibiu a atividade destas enzimas em cerca de 70%”, descreve.

No organismo humano, se a pessoa já tem a diabete instalada, quanto maior o consumo de carboidratos, maiores são as chances de um quadro de hiperglicemia (taxa alta de açúcar no sangue). “A inativação dessas enzimas pode ser uma estratégia para manter o controle glicêmico e assim evitar as complicações da diabete”, explica a nutricionista ao Jornal da USP.

Segundo a pesquisadora, no mercado farmacêutico existem drogas que inibem a atividade dessas enzimas como forma de tratar pessoas portadoras de diabete do tipo 2, porém, esses fármacos apresentam diversos efeitos colaterais como hipoglicemia em doses mais elevadas, problemas hepáticos, náuseas, vômitos e diarreia, explica Cintia. “Por isso, há necessidade de estudos para verificar se as substâncias bioativas presentes nos alimentos poderiam exercer esse papel sem causar efeitos colaterais”. Cintia lembra ainda que os ensaios com as enzimas foram feitos somente em laboratórios, precisando agora ser confirmados em humanos, por meio de ensaios clínicos.

A pesquisa com as enzimas foi um dos destaques de um artigo de revisão Guarana as a source of bioactive compounds,  publicado no Journal of Food Bioactives. O artigo reuniu ainda relatos de pesquisadores de várias instituições, incluindo os do grupo da professora Elizabeth Torres, reconhecendo as propriedades funcionais das substâncias bioativas do fruto nativo amazônico. Cintia, que é a primeira autora do artigo, diz que até bem pouco tempo, o guaraná era tido apenas como estimulante pelo seu alto teor de cafeína. “Hoje, se sabe que as sementes do guaraná contêm boas fontes de compostos fenólicos, como a catequina, a epicatequina e a proantocianidina, substâncias bioativas que foram associadas à proteção contra doenças cardiovasculares e cognitivas”, diz a pesquisadora ao Jornal da USP.

No artigo, há outros registros dos benefícios das propriedades bioativas do guaraná, entre eles os dos compostos fenólicos (catequinas e proantocianidinas) que também foram reconhecidos como potenciais agentes antimicrobianos com ação  bactericida. As catequinas e as proantocianidinas, por exemplo, foram testadas contra três fungos de origem alimentar: a Aspergillus niger, a Trichoderma  e Penicillium e três bactérias patogênicas: Escherichia coli, Pseudomonas fluorescens e Bacillus.

A pesquisa da ação dos compostos fenólicos sob as enzimas α-amilase e α-glicosidase foi feita em 2018, paralelamente ao doutorado que Cintia defendeu na FSP. Os desdobramentos das pesquisas no grupo da professora Elizabeth seguem este ano com a investigação dos efeitos terapêuticos dos compostos fenólicos no desempenho cognitivo e na depressão.

Fonte: Jornal da USP por Ivanir Ferreira

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