De briga com o Ibama ao contrato com bets: por onde andam Agenor e a capivara Filó
Direto de Autazes, no interior do Amazonas, influenciador Agenor Tupinambá viveu há dois anos uma grande exposição de seu nome em todo o Brasil, com direito a briga com o Ibama envolvendo a guarda da capivara Filó. Saiba por onde andam ele e o animalzinho hoje em dia.
Desde que tudo aconteceu há dois anos, Agenor trancou o curso de Agronomia, comprou um sítio em Autazes e passou a se sustentar com o que ganha na internet, onde soma mais de 3,5 milhões de seguidores e se descreve como "pai da caps Filó".
A repercussão do caso com Filó alavancou a fama de Agenor, que diz ter recusado usar a imagem do animal em campanhas publicitárias. Ainda assim, firmou parcerias com marcas locais e mantém vínculo ativo com um site de apostas. “Nunca fiz nenhuma publi com ela. Já recebi propostas, mas sempre separei isso”, afirma.
A capivara Filó continua sob seus cuidados, vivendo livre no terreno da casa. Segundo o influenciador, ela é tratada como parte da família. Apesar das críticas do Ibama, que ainda tenta reverter a decisão judicial que devolveu Filó ao tutor, Agenor mantém contato com autoridades e garante seguir orientações sobre o bem-estar do animal.
Ele reconhece que errou ao humanizar Filó em algumas postagens, mas diz que tudo foi feito de forma espontânea. “Fui multado por colocar uma roupa nela, reconheço que aquilo foi errado. Mas não houve exploração. Meu conteúdo sempre foi sobre a vida no interior. Ela só fazia parte da rotina”, diz. Ainda hoje, ele continua sendo lembrado como o “influenciador da capivara”.
Em contrapartida, o analista ambiental do Ibama Roberto Cabral acredita que a guarda de Filó ter permanecido com Agenor passa uma mensagem equivocada sobre o que pode acontecer com alguém que exibe animais silvestres nas redes sociais. "Se o Ibama tivesse tido a oportunidade de fazer a reintrodução do animal à natureza e mostrado às pessoas, isso traria a mensagem de que a lei ambiental é importante e que quem a transgride está cometendo um crime e responderá por isso. Mas ficou parecendo que ele [influenciador] não estava fazendo nada de errado. Do ponto de vista de uma mensagem ambiental, é muito equivocada.", afirmou à BBC News.
"Elas percebem que ele se tornou mais famoso e que nada aconteceu.", acrescentou Cabral. "Em 2009 o Ibama fez uma grande ação de fiscalização em circos no Brasil e descobriu que nenhum deles cumpria todos os requisitos, avaliando questões como maus-tratos, segurança do público, sanitária e documentação de origem dos animais. Todos os animais foram apreendidos e os circos, autuados. Hoje redescobriram como fazer o circo, de forma virtual, onde eu exponho um animal e consigo seguidores, sem que as pessoas saibam o bastidor do circo.", criticou.
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