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Gene associado ao Alzheimer está presente em 26% da população, revela estudo

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Gene associado ao Alzheimer está presente em 26% da população, revela estudo
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Um estudo liderado por pesquisadores brasileiros da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) desvendou o mecanismo subjacente a um marcador genético associado a um aumento significativo no risco de desenvolvimento de Alzheimer. O artigo, publicado na revista Nature Aging em 25 de setembro, descreve como a presença de uma ou duas cópias de um gene chamado Apoe (apolipoproteína E) pode aumentar o risco de Alzheimer de três a 15 vezes.

De acordo com a pesquisa, esse gene acelera o acúmulo das proteínas beta amiloide e tau no cérebro, que estão ligadas ao declínio cognitivo. Esse processo é facilitado pela hiperfosforilação, que envolve a adição de uma molécula de fosfato à proteína. Em condições normais, a proteína tau tem a função de reparar a estrutura dos neurônios. No entanto, na forma hiperfosforilada, ela não consegue desempenhar essa função adequadamente, o que leva à morte celular.
Além disso, a presença de uma ou mais cópias desse gene parece acelerar o acúmulo de placas de proteína amiloide. Segundo o estudo, esses são os principais fatores que contribuem para o dano cerebral e o declínio cognitivo associados ao Alzheimer.

Essas descobertas são significativas, uma vez que podem auxiliar na detecção precoce de pacientes com sintomas iniciais de Alzheimer, por meio de exames de sangue. Cerca de 25% da população possui uma cópia desse gene, e 1% possui duas cópias, o que representa mais de um quarto da população com alto risco de desenvolver demência. No entanto, é importante ressaltar que a presença dessas cópias não equivale aos casos de Alzheimer de origem hereditária, que representam cerca de 10% dos casos.

A pesquisa foi conduzida durante o período sanduíche do doutorando João Pedro Ferrari Souza nos Estados Unidos, sob a orientação de Eduardo Zimmer, da UFRGS, e Tharick Pascoal, da Universidade de Pittsburgh. Além disso, contou com a colaboração de pesquisadores da Universidade McGill, no Canadá, e da Universidade de Gotemburgo, na Suécia.

Durante dois anos, 94 pacientes de Alzheimer do grupo de estudo chamado Triad da Universidade McGill foram avaliados. Foram realizadas quatro análises distintas para verificar a presença das variantes ε4 do gene Apoe: exames de líquido cerebral, sangue, ressonância magnética e PET-amiloide, uma tomografia específica para placas de amiloide. Os resultados demonstraram que a presença do alelo Apoeε4 aumenta os efeitos prejudiciais da proteína beta amiloide, elevando significativamente o risco de desenvolver Alzheimer.

O pesquisador acredita que essa descoberta pode contribuir para o desenvolvimento de novos tratamentos, especialmente em combinação com as drogas recentemente aprovadas para o tratamento da fase inicial do Alzheimer, como donanemabe e lecanemab, que atuam na formação das placas amiloides. No entanto, é importante notar que essas drogas ainda não estão disponíveis no Brasil, e os tratamentos disponíveis atualmente no país se concentram na redução dos sintomas do Alzheimer, com alguns efeitos colaterais raros.

Essa pesquisa é fundamental para a compreensão da doença de Alzheimer, que se espera que afete mais de 100 milhões de pessoas em todo o mundo até 2030, e pode abrir caminho para novos estudos e desenvolvimento de tratamentos mais eficazes.

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