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Vai aí uma cachaça do índio, vai?

O Festival Folclórico de Parintins (a 369 km de Manaus) já é o maior evento do gênero realizado no Estado do Amazonas. Caprichoso e Garantido, os bois-bumbás cuja rivalidade na arena atrai multidões, há muito ganharam fama internacional. E o primeiro dos três dias de espetáculo deste ano, começou ontem. 

O cacique Raoni, que dispensa apresentação, foi uma das grandes atrações. Na mesma noite em que uma cunhã-poranga ficou com os seios à mostra(ao perder parte da vestimenta) e uma rainha do folclore despencou de uma alegoria.  Ah, mas também é preciso falar de uma certa cachaça. Uma cachaça especial.  

CACHAÇA DO ÍNDIO É UM SUCESSO NA FEIRA DE ARTESANTO EM PARINTINS” é o título de matéria  que traz essa novidade, publicada hoje no Portal do Holanda. De acordo com a matéria, “a Cachaça do Índio, bebida alcoólica indígena tradicional, é sucesso entre os visitantes na Feira de Artesanato indígena realizada pela Feira de Artesanato Indígena realizada(sic)  pelo Fundação Estadual do Índio (FEI). A bebida é fabricada pelo artesão e jornalista Yuri Magno, da etnia Sateré-Mawé, há 35 anos”.

No texto, diversas e importantes informações sobre a bebida, que se “popularizou em 2015 e é fabricada artesanalmente a base de açúcar, com adição de plantas medicinais como Marapuama, Ubiratan, Xixuá e guaraná em pó, sem mistura de outros tipos de cachaça”.

Yuri Magno, o fabricante da bebida, explicou: “A cachaça do Índio faz parte da medicina indígena junto de uma série de outros produtos que nós fabricamos como cremes, perfumes, shampoos e pomadas, elas são feitas com o conhecimento que eu recebi na aldeia desde os meus 13 anos de idade”.  Também o diretor-presidente da FEI, Sinésio Trovão, foi ouvido. A cachaça, garantiu, “reflete o talento e o potencial dos produtos realizados pelos povos indígenas do Amazonas”. 

SIM, MAS CADÊ O CONSUMIDOR DA CACHAÇA?

Ainda de acordo com Sinésio Trovão, “existe um enorme valor no conhecimento e trabalho dos nossos parentes artesãos, eles fazem produto com muita qualidade e empenho para compartilhar, com os visitantes de Parintins, as sabedorias de séculos de história indígena”. Perfeito: esses personagens, essenciais para o leitor melhor entender a informação, não poderiam ser esquecidos.

Mas a reportagem falhou, ao “esquecer” de outros personagens muito importantes: os consumidores.  Ou ao menos uma criatura que tenha provado dessa tão elogiada cachaça. Nem precisava mostrar alguém embriagado. Bastava um pequeno depoimento. 

É que a matéria, já a partir do título, gerou expectativa.  Ao afirmar, logo nos primeiros parágrafos, que a Cachaça Indígena “é um sucesso”, o leitor um pouco mais atento logo  espera que a notícia seja integral e não pela metade. No caso, não exatamente pela metade. Afinal, saber da existência dessa feira de artesanato, os objetivos do projeto e ter as explicações interessantes sobre o processo de fabricação da bebida, é gratificante para o leitor. Em consequência, elogios para quem teve o cuidado de elaborar todas as informações. 

Faltou apenas aquele “tempero” a mais, para dar melhor “sabor” à notícia. Em Parintins, a encantadora ilha nesses tempos de festa, euforia e o que mais a imaginação alcançar, parece quase impossível não encontrar turistas ou nativos para falar da bebida indígena “que é um sucesso” no festival folclórico deste ano. 

Bom, com uma boa dose de otimismo, quem sabe o leitor do Portal do Holanda ainda tenha essa resposta até o final da festança. Afinal, ainda tem “dois pra lá e dois pra cá” nesta noite de sábado e noite de domingo. Se não der, pode-se aguardar 2024. 

 Antes do ponto final, uma observação: o texto da matéria poderia ter passado por uma  rápida revisão gramatical. Assunto para outra oportunidade.

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