A informação vem do órgão de vigilância em saúde do Amazonas: quase 30 mil preservativos foram distribuídos em Parintins (a 369 km de Manaus), onde se realiza o maior Festival Folclórico do Estado. Ontem, sábado, foi o segundo dia da apresentação dos bumbás Caprichoso e Garantido, na arena chamada bumbódromo, com a presença de autoridades, a exemplo do governador Wilson Lima (União Brasil...). E neste domingo, além da notícia sobre a distribuição de camisinhas, o Portal do Holanda, por exemplo, divulgou matéria sobre 13 casos de violência sexual contra crianças e adolescentes. Casos “identificados” na segunda noite do festival.
As matérias sobre os dois assuntos, tem como base informações divulgadas pela FVS-AM (Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas), conforme é esclarecido na reportagem.
Ao relatar sobre os casos de violência sexual contra crianças e adolescentes, o repórter Luis Oliveira esclarece que a FVS não fornece “detalhes como perfil dos agressores ou se os casos estão sendo investigados pela Polícia Civil”. Mas explica que, dentre as ações preventivas realizadas pelo órgão, “houve 51 orientações a estabelecimentos e distribuição de 1.750 materiais de educação em saúde”. Também “orientações preventivas da saúde do trabalhador, incluindo a distribuição de 200 materiais educativos relacionados aos cuidados com a saúde vocal e auditiva”. Além de “orientações preventivas à violência sexual contra crianças e adolescentes”. Vale, aqui, parabenizar o repórter, que percebeu e questionou uma informação oficial que poderia ser mais completa.
Sobre a distribuição de camisinhas, a diretora-presidente da FVS, Tatyana Amorim, explicou ser uma forma de prevenir a disseminação de infecções sexualmente transmissíveis. E esclareceu a forma de realizar esse trabalho, que não acontece somente durante as noites do festival no bumbódromo. A ação se estende a shows musicais em bares, passando por estabelecimentos de serviços de alimentação até hospedagem em alimentação.
BRINCAR OU FURUNFAR?
Distribuição de preservativos durante o Festival de Parintins é uma prática adotada desde há muito tempo. Num passado nem tão distante assim, podia até render manchete. No mínimo, notícia em destaque, com informação sobre os custos dos preservativos. Porém, não havia questionamento, por se tratar de saúde pública. Mas, numa certa oportunidade, um gaiato (só podia ser um) perguntou no espaço de um jornal: “Afinal, o pessoal vai brincar ou furunfar”? Isso faz tanto tempo, que agora talvez poucos saibam o que é “furunfar”.

