A rodoviária de Manaus fica na Avenida Djalma Batista (zona centro-sul), bem perto do estádio Arena da Amazônia (obra inaugurada em 2014, ano da Copa do Mundo). Agora, um projeto da prefeitura transfere a rodoviária para o Terminal 6 (zona norte). Desde o início, a ideia provocou polêmica, especialmente na Assembleia Legislativa, onde foi muito questionado o valor dos recursos para o empreendimento (R$13,8 milhões). Falou-se até em “elefante branco” para definir o novo terminal rodoviário. O Portal do Holanda também meteu a colher na confusão.
Na Coluna Bastidores, publicada em 27 de junho deste mês, o diretor geral Raimundo de Holanda optou por remar contra a maré de reclamações e críticas. Sob o título “POLÍTICOS APOSTAM NO ATRASO E MANAUS ESTACIONA”, ele puxou pela memória e garantiu: as queixas de hoje são as mesmas da época em que um certo governador também resolveu mudar o terminal rodoviário da capital amazonense. No texto, Holanda coloca entre queixosos até um grupo de “meninas da noite”.
“O projeto de mudança do terminal rodoviário de Manaus está dando o que falar. É distante, o custo da obra é alto e há a desaprovação dos usuários de ônibus intermunicipal. Mas foi assim na década de 80, quando o então governador José Lindoso construiu a atual rodoviária no bairro de Flores. A mudança ocorreu, não sem protestos, inclusive de um grupo de ´meninas da noite´ que faziam ponto na Rua Itamaracá, Centro de Manaus, onde estacionavam os ônibus que chegavam de Porto Velho e Roraima. O discurso da época era que o local ficava distante e o acesso se tornava difícil. Ou a cidade encolheu 40 anos depois, ou a rodoviária se teletransportou e ficou ´bem ali´, tão próxima e tão apertada que o poder público foi levado a pensar em um novo projeto, mais amplo, mais dinâmico”.
Disse mais: “De novo o discurso da distância, do excessivo gasta com a obra. De novo a falta de visão de que a cidade precisa pensar no futuro e construir soluções para os problemas de agora e de amanhã”. Sempre insistindo no argumento de que se repetem as mesmas queixas, o diretor do Portal do Holanda encerra a coluna da seguinte forma:
“De novo políticos metendo o dedo onde deveriam aponta soluções. De novo o histerismo que transforma soluções em problemas, fazendo a cidade estacionar no atraso. De novo gente alienada transferindo uma questão legal, que diz respeito a uma política pública – e o transporte é política pública – sendo discutido ou no judiciário ou no Tribunal de Contas, numa indevida intromissão em atos de natureza exclusivamente do Executivo.
Pena que as meninas da noite não tenham entrado na discussão ....”
A DISCORDÂNCIA DO LEITOR E A RESPOSTA DO DIRETOR
Nesta sexta-feira 30, a coluna Ombusdman recebeu e-mail de um leitor. Começou dizendo que “a imprensa não é feita somente de notícias ruins, mas quem faz as notícias se baseia nos fatos acontecidos na sociedade”. Afirmou que, em Manaus, pessoas são assassinadas em plena luz do dia “e cabe à imprensa noticiar, e aproveitar para criticar políticas públicas de enfrentamento à violência em geral”. Depois dessa introdução, chegou ao diretor geral e colunista do portal. “O portal do Holanda errou ao dizer que os ônibus intermunicipais partiam da rua Itamaracá, no centro de Manaus. A rodoviária funcionava na rua Nhamundá, na praça 14, na administração de José Fernandes”. O diretor Raimundo de Holanda foi acionado e respondeu.
“Funcionou, sim (na rua Itamaracá). Eu mesmo esperava parentes de Boa Vista, às duas da madrugada. Vivi essa experiência. Pode até ter funcionado também, em outro momento, no local que ele (o leitor) indicou. Mas paravam, sim, na Itamaracá. Onde, aliás, era o ponto das meninas da noite, porque havia muita gente chegando de Boa Vista e Porto Velho. E gente esperando”. Assim foi a resposta do Holanda ao leitor, que também aproveitou para falar de outro assunto. “O rio Negro é lindo, mas Manaus não tem calçada para pedestre e nas poucas que existem, motoristas estacionam seus carros sobre elas”. E o nosso atento leitor não apenas falou, mas também mandou foto em que aparece carro estacionado em cima de calçada.
Que tal essa pauta sobre calçadas, diretor?

