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Silas Câmara, cassado, tinha um "propósito santo"

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O deputado federal Silas Câmara (Republicanos-AM) teve o mandato cassado nesta quarta-feira 31, por uso irregular de recursos públicos na campanha de 2022, quando ele conseguiu ser reeleito pela sétima vez consecutiva. Por 4 votos a 2, o TRE (Tribunal Regional Eleitoral) decidiu pela cassação, mas a sua defesa já anunciou que recorrerá da decisão.

No Facebook ele se defendeu e fez referência a um versículo bíblico, sugerindo perseguição. “Há mais de 28 anos trabalhando com propósito e por um propósito, de forma limpa e honesta. De todos os lados somos pressionados, mas não desanimados; ficamos perplexos, mas não desesperados; somos perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não destruídos. 2 Coríntios 4:8-9”, escreveu. 

Na mesma página do Facebook, nota da assessoria jurídica informa sobre a “defesa legal” do mandato, “conquistado por um propósito santo”. “A assessoria Jurídica do Deputado Federal Silas Câmara informa que o parlamentar recorrerá da decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Estado do Amazonas, reafirmando seu compromisso com a defesa legal de seu mandato, conquistado com muito trabalho, união, por um propósito santo, de forma limpa e honesta. A decisão foi formada por uma pequena maioria de votos e contrariou a posição anterior do próprio TRE-AM, que aprovou as contas do Deputado. A confiança na reversão do julgamento é total e o Deputado continuará no exercício pleno de suas responsabilidades enquanto aguarda a apreciação do caso em definitivo pela Justiça Eleitoral”, diz a nota. 

Mesmo que o mandato de Silas Câmara tenha sido conquistado “por um propósito santo”, o MPE (Ministério Público Eleitoral) entendeu que fretar aeronaves com destino ao estado do Acre, por exemplo, é prática irregular, uma vez que a campanha eleitoral teria de ser em território amazonense.

Além disso, aeronaves permaneciam pouco tempo nos locais de eventos da campanha. Sem contar que havia “carona” nos voos: crianças de colo e até o irmão, deputado estadual Dan Câmara (PSC). Silas Câmara, pastor da Assembleia de Deus, é líder da FPE (Frente Parlamentar Evangélica). Porém, conforme com a Folha de S. Paulo (em 23 de janeiro), a bancada evangélica voltará a ser comandada por Eli Borges (PL-TO), a partir deste fevereiro. 


“QUANDO DEUS LHE FALTA, O DIABO O SOCORRE”

Ainda sobre a cassação: caso seja confirmada, haverá nova contagem de votos. Consequência: perda de mandato de Adail Filho, que é do mesmo partido de Silas. Com a mexida, os suplentes Alfredo Nascimento (PL) e Pablo Oliva (União Brasil) ocupariam as duas vagas.

É a previsão, uma vez que tudo poderá continuar igual. Afinal, Silas já se livrou de outras enrascadas. Na coluna Bastidores da Política desta quarta-feira 31, o diretor-geral deste portal, Raimundo de Holanda, duvida de que Silas Câmara perca o mandato. No texto da coluna sob o título “Silas Câmara entre Deus e o Diabo”, em que relembra outras denúncias contra o deputado, Holanda aposta que o homem, mais uma vez, dará “a volta por cima”. 

“Deus segurou Silas Câmara até onde pôde. Largou dele na sessão desta quarta-feira no TRE, que o cassou por captação ilícita de votos nas eleições de 2022. O diabo é que cabem recursos e o Diabo sempre salva Silas das armadilhas que ele mesmo monta. É difícil acreditar que, como das outras vezes, Silas não consiga dar a volta por cima. Quando Deus lhe falta, o Diabo o socorre”, pode-se ler ao final do texto em que o autor faz uso de trocadilho.  

Ao longo do dia, o Portal do Holanda publicou três matérias a respeito da cassação de Silas Câmara. Com a dúvida do seu diretor-geral, exposta numa coluna de opinião, é de se esperar um acompanhamento ainda mais intenso desse caso.

É a sugestão desta Coluna à Redação.

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