Na sexta-feira passada (02), uma informação de impacto do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) : no Brasil, existem mais estabelecimentos religiosos do que escolas e hospitais. E o Amazonas aparece no topo da lista, com 19,1 mil templos, o que significa um espaço religioso para cada 69 domicílios. Na categoria de espaço de culto, de acordo com o que foi noticiado, o IBGE inclui templos, sinagogas, terreiros etc. Nenhuma novidade a constatação do aumento do número de evangélicos em todo o Brasil, já detectado no Censo de 2010, e confirmado pela quantidade de templos desse segmento, nos dados referentes a 2021. A mesma tendência no Amazonas.
Ainda de acordo com o Censo 2022, no Brasil existem 579,7 mil espaços religiosos, 264,4 mil estabelecimentos de ensino e 274,5 mil unidades de saúde. No Amazonas, com mais de 19 mil templos, foram contados 7.052 estabelecimentos de ensino e 2738 unidades de saúde (informação em todos os veículos de comunicação local). A região Sul é a que tem menor quantidade de espaços religiosos em relação à população: são 226 para cada 100 mil domicílios. É preciso lembrar que o Censo divulgado agora é o primeiro em que o IBGE identificou a localização de todos os endereços no território nacional (mapeou todos os tipos de edificações que compõem os 111 milhões de endereços no Brasil).
Diante de números que revelam um Brasil onde espaços religiosos ultrapassam os de ensino e saúde, surgem as análises. Há quem discorde das críticas, argumentando que o fato de existir mais igrejas/templos não prejudica em nada os serviços de educação e saúde. Tanto que o número de faculdades no Brasil aumentou nas últimas décadas, mas não melhorou o nível de educação. Há quem considere que, por conta das dificuldades sociais, por exemplo, as pessoas acabam procurando refúgio nas igrejas. Na prática, as pessoas acabam morando mais perto de espaços religiosos do que de entidades governamentais, dado a grande quantidade de construções para esse fim.
PAÍS LAICO, POVO RELIGIOSO
Seja qual forma consulta que se faça, a resposta é que o Catolicismo ainda tem o maior número de fiéis, mas o Protestantismo (esse é o nome correto) avança a passos largos e o que teve o maior crescimento nos últimos 30 anos. Já se especulou que, em 2032, ultrapassará o número de católicos. Oficialmente, o Brasil é um país laico (não tem religião oficial), com um povo muito religioso. Uma pesquisa do Datafolha (13.01.2020) mostrou que 50% de brasileiros são católicos, 31% evangélicos e 10% declararam não ter religião. Entrevista com 2.948 pessoas, em 176 municípios de todo o país. A mesma pesquisa mostrou o seguinte: espírita: 3%; umbanda, candomblé ou outras religiões afro-brasileiras: 2%; outra: 1% e judaica: 0,3%. Detalhe: a figura de Jesus crucificado, símbolo do Cristianismo, está exposta no plenário dos parlamentos e outros recintos do Estado Brasileiro.
Voltando ao Censo de 2022, e apenas sobre o Amazonas, seria muito interessante buscar outras informações sobre o assunto. O aumento de igrejas e fiéis fez aumentar o número de escolas para esse público? Qual a preparação/formação de padres, pastores e outros líderes religiosos? Além de sociólogos e outros analistas, entrevistar fiéis de várias crenças (ateu não tem crença religiosa, mas tem opinião e também paga impostos), católicos que migraram para o protestantismo, são assuntos que podem render ótimas reportagens.
No dia 20 de abril de 2021, o site guiame.com.br, ao publicar matéria sobre aumento das igrejas em Manaus (fala em 8 mil templos e crescimento de 325% nos últimos anos), ouviu o teólogo e pastor Carlos Rogério. "Hoje existem muitas pequenas igrejas que vai saindo das grandes", disse ele, que acredita na "má formação de lideranças". Diz um trecho da matéria: "Muitas igrejas de pequeno porte, em Manaus, saíram das Assembleias de Deus e que o motivo é que algumas pessoas não se submetem a seus líderes. Com isso, vão se abrindo portas que, muitas vezes, apresentam ideologias contraditórias", explica o estudioso.
Autoridades governamentais, políticos (existe até a Bancada Evangélica no Congresso Nacional), professores (inclusive de filosofia e psicologia) e estudantes bem poderiam ser ouvidos. Afinal, essa é uma realidade do Brasil e não exagero dizer que afeta toda a vida do país. Ou seja: de todos os habitantes.
Sugestão da Coluna à Redação do Portal do Holanda

