Aquela história de um dublê de cinema de Hollyood, vivido por Lee Majors e que fazia coisas incríveis, faz lembrar a trajetória do deputado federal Silas Câmara (Republicanos-AM). Mais pelo título em português, esclareça-se (o dublê, por exemplo, aproveitava as folgas para correr atrás de criminosos). No quinto mandato consecutivo, Silas poderia ter sido cassado na quarta-feira 24, mas o julgamento no TRE (Tribunal Regional Eleitoral) ficou adiado para o próximo dia 31. Ele é acusado de usar recursos públicos de forma ilícita na campanha de 2022, como aluguel de aeronaves em que viajavam até parentes e criança de colo, segundo denúncia aceita pelo MPE (Ministério Público Eleitoral).
É o segundo julgamento adiado. O primeiro aconteceu em dezembro de 2023, quando o desembargador Marcelo da Costa Vieira pediu vista do processo (para maior análise), depois que a maioria da Corte já havia votado a favor da cassação. E agora o adiamento ocorreu pela ausência da vice-presidente do TRE, a desembargadora Carla Reis, que em dezembro havia votado pela cassação. Na sessão da quarta-feira 24, o juiz Marcelo Vieira anunciou que estava com o seu voto pronto e que não era “convergente” e sim “divergente”.
Portanto, contra a cassação de Silas Câmara. Então o presidente da Corte, Jorge Lins, decidiu adiar o julgamento, para ter a presença de Carla Reis e, assim, o quórum ficar completo. Lins também ponderou que, diante do voto já declarado do juiz Marcelo, Carla Reis poderia até “rever” a sua posição anterior. O julgamento não concluído foi manchete em todos os veículos de comunicação local. Algumas dessas manchetes pinçadas pela Coluna.
“Julgamento de Silas Câmara é adiado novamente”. “TRE-AM adia julgamento que pode cassar Silas Câmara”. “Julgamento que pode cassar mandato de Silas Câmara é novamente adiado”. “Julgamento de cassação de Silas Câmara é adiado por falta de quórum”. “Julgamento sobre cassação de mandato de Silas Câmara é adiado pelo TRE-AM”. “Processo de Silas Câmara é adiado mais uma semana”. “Julgamento de cassação do deputado Silas Câmara é adiado para 31 de janeiro”. “Silas Câmara escapa mais uma vez de julgamento de cassação”. “Falta de quórum suspende julgamento de Silas Câmara”. “Juiz vai apresentar voto contrário à cassação de Silas”.
Nos textos das reportagens, além das necessárias informações sobre o caso, pode-se ler comentários assim: “Com o novo adiamento, Silas Câmara se salva até o próximo dia 31”. “O adiamento do julgamento representa oportunidade para uma nova análise do caso”. “Este adiamento adiciona mais uma etapa ao processo em curso, aumentando a expectativa e a atenção deste caso de grande relevância política no estado do Amazonas”. “A decisão do TRE-AM sobre a cassação do mandato do deputado federal tem implicações significativas, não só para a carreira política de Silas Câmara, mas também para a transparência e integridade do processo eleitoral na região”.
DEFESA NÃO VÊ MOTIVOS PARA CASSAÇÃO
Enquanto não chega o dia 31, Silas Câmara já recebeu quatro votos pela cassação. A Corte é formada por sete membros. O juiz Marcelo anunciou que seu voto não é “convergente”, mas sim “divergente”, porém ainda não o leu. Seja como for, nada garante que não haja mudança nos votos já declarados, como deixou claro o presidente Jorge Lins. Silas Câmara é líder da Bancada Evangélica na Câmara dos Deputados. A defesa dele sustenta que a prestação de contas do deputado, referente a 2022, foi aprovada (com ressalvas) pelo próprio TRE-AMe, na ocasião, não percebeu nada tão grave que pudesse levar à cassação do mandato.
Diante desse quadro, talvez seja temerário tentar adivinhar o resultado do próximo julgamento. Silas é um veterano não apenas na política, mas também no enfrentamento de vários tipos de denúncia no exercício dos cinco mandatos e, até aqui, saiu vencedor. Tudo registrado pela imprensa que, no dia 31, estará a postos para mais um capítulo dessa história. Talvez valha usar, aqui, uma expressão popular: Silas dá canseira nos repórteres, desde o início da sua carreira política.
Sugestão da Coluna à Redação do Portal do Holanda: que tal uma reportagem com o deputado? Adiantando a pauta: Silas é formado em jornalismo pela Faculdade Boas Novas, que é administrada pela família Câmara.
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