O Amazonas tem quase 4 milhões de habitantes (3.941.175). Um aumento de 457.190 pessoas, entre 2010 e 2022, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O fato reacende uma discussão iniciada em 2009, sobre o aumento de cadeiras no parlamento estadual (24) e na Câmara Deputados (8). Naquele ano, a Aleam (Assembleia Legislativa do Amazonas) chegou a entrar com recurso no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), sustentando que o Estado tinha direito a 30 deputados estaduais e dez federais.
Na última quarta-feira 2, na sessão plenária, esse foi o principal assunto discutido pelos deputados. O entendimento geral é: pelos números mostrados pelo Censo Demográfico 2022, o Amazonas tem direito a mais representantes nas duas casas legislativas. “Em 2013, o Tribunal Superior Eleitoral entendeu que era necessário haver comprovação do aumento da população, o que ocorreu com o Censo 2022. É preciso iniciar um movimento novamente em busca dessa reparação”, afirmou Adjuto Afonso (União Brasil).
Quem iniciou o debate foi o novato Dr. George Lins (União Brasil). Lembrou outra consequência dos novos números do Censo: a distribuição de recursos da União para os Estados e municípios. George é filho de Belarmino Lins, o Belão, deputado estadual em oito mandatos consecutivos e um entusiasta da ideia (deixou de concorrer na última eleição). A atual sede da Aleam foi construída quando Belão era presidente. Certa vez, ele afirmou que a Casa do Povo fora projetada para receber mais deputados.
Agora com apoio de números do Censo, não é difícil prever que muito do tempo dos parlamentares será dedicado ao tema. O vizinho Pará tem 41 deputados estaduais e 17 federais. O Maranhão conta com 42 deputados estaduais e 18 federais.
Essas comparações eram feitas em 2009 e devem continuar. O argumento de que o Amazonas é o maior Estado da federação e precisa ter mais representantes, também. Mas existem outros fatores a considerar. E entender. A população, por exemplo, certamente não deixará de opinar. Aí entram os meios de comunicação para o seu papel de sempre: informar. E têm muito o que informar.
Num momento em que a classe política desperta a desconfiança de, pelo menos, grande parte da população, falar em aumentar privilégios (uma coisa é sempre ligada a outra) pode não ser muito compreendida. No entanto, não deve prevalecer o senso comum, paixão ou “achismo” em questões iguais a essa, de interesse do Amazonas. A questão está posta.
Portanto, mãos à obra, senhores repórteres!

