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Aquele detalhe que faz a diferença no texto

Pode parecer chato e cansativo ficar repetindo ser muito importante observar as regras gramaticais na hora de elaborar um texto, mas tal preocupação deve ser considerado um exercício sem fim. Não é questão de estilo, que isso cada pessoa tem o seu. É a constatação de que todo mundo, ou a maioria, tem dúvida e receio de cair nas pequenas “armadilhas” do idioma (ao final desta coluna, uma professora de português esclarece dúvidas sobre expressões bem conhecidas). Pequenas e grandes falhas ocorrem a todo momento. Quantos não conseguem entender a flexão dos verbos no modo infinitivo? No entanto, algumas vezes falta apenas um pouquinho mais de clareza. Vejamos alguns exemplos no Portal do Holanda.   

Em matéria sobre homicídio, lê-se o seguinte: “Richard  tentou correr, mas foi baleado em frente a casa onde morava alugado com a esposa há cerca de seis meses”. Aqui, faltou uma crase (o correto é “em frente à casa”). Já a expressão “morava alugado com a esposa...” é, digamos, uma linguagem coloquial. Afinal, ele não “morava alugado”. Pagava o aluguel de uma casa, onde morava com a esposa .Já a forma de descrever o fato é decisão do autor. Uma outra matéria é sobre uma reunião do Codam (Conselho de Desenvolvimento do Estado do Amazonas), a ser realizado no dia 11 de julho. Na reunião, explica a matéria, serão discutidos 36 projetos industriais, com investimentos estimados em R$ 766,933 milhões e criação de 1.245 vagas de emprego em três anos (excelente notícia).

Também é informado que a reunião do Codam será transmitida pelo canal do governo do Amazonas, no YouTube. Lê-se no final do texto: “A pauta completa pode ser encontrada no site da Sedecti”.  O que faltou? Informar o site da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, que é a Sedecti. Em compensação, em matéria sobre carretas autuadas por circular em horário não permitido, está completa: informa até local e horário de atendimento a proprietários de caminhões que desejarem solicitar documento necessário para transitar “nas áreas de restrição e circulação”. 
 
8 pleonasmos que você tem de parar de dizer
 
Flávia Neves
 
Professora de Português
O uso de pleonasmos no dia a dia é muito comum. Por hábito ou por desconhecimento, são transmitidas mensagens redundantes, ou seja, mensagens com repetição desnecessária de ideias.
Várias expressões usadas com frequência pelos falantes são consideradas vícios de linguagem. Vale a pena conhecê-las:
“Adiar para depois”
Diga apenas: adiar

O verbo adiar indica o ato de marcar um determinado compromisso ou evento para outra hora ou outro dia, ou seja, para um momento posterior. Não é, assim, necessário o uso do advérbio depois.
Errado: Vamos adiar a data da entrega dos trabalhos para depois.
Certo: Vamos adiar a data da entrega dos trabalhos.
“Pequenos detalhes”
Diga apenas: detalhes

Não é necessária a junção do adjetivo pequeno à palavra detalhes porque a palavra detalhes já indica um pequeno elemento, como um pormenor, uma particularidade, uma minudência.
Errado: Isto são pequenos detalhes que não interessam para nada.
Certo: Isto são detalhes que não interessam para nada.
“Conclusão final”
Diga apenas: conclusão

Conclusão é sinônimo de final, sendo assim redundante a utilização das duas palavras. Conclusão indica término, fim, finalização.
Errado: A conclusão final do trabalho estava bem estruturada.
Certo: A conclusão do trabalho estava bem estruturada.
“Encarar de frente”
Diga apenas: encarar

O verbo encarar, sozinho, indica o ato de olhar de frente, sendo sinônimo de enfrentar. Assim, não há a necessidade do uso da palavra frente.
Errado: Vou encarar esse problema de frente e vou resolver tudo rapidamente.
Certo: Vou encarar esse problema e vou resolver tudo rapidamente.
“Consenso geral”
Diga apenas: consenso

O substantivo consenso é usado para indicar que há unanimidade de ideias e opiniões. Não se deve, então, usar o adjetivo geral por ser desnecessário.
Errado: Para que a medida avance, é necessário que haja consenso geral.
Certo: Para que a medida avance, é necessário que haja consenso.
“Repetir de novo”
Diga apenas: repetir

O verbo repetir indica já o ato de voltar a fazer alguma coisa. Logo, as expressões repetir de novo e repetir outra vez são redundantes.
Errado: Foi tão divertido! Temos de repetir de novo!
Certo: Foi tão divertido! Temos de repetir!
“Certeza absoluta”
Diga apenas: certeza

Embora muito usada com intuito enfático, essa expressão é redundante, uma vez que o substantivo certeza já significa convicção e segurança plena e total, indicando indubitabilidade.
Errado: Você tem a certeza absoluta de que isso aconteceu assim?
Certo: Você tem a certeza de que isso aconteceu assim?
“Há muitos anos atrás”
Diga apenas: há muitos anos

O verbo haver, conjugado como verbo impessoal, na 3.ª pessoa do singular, indica tempo decorrido. Não é, assim, necessário o uso do advérbio atrás para indicar passado.
Errado: Isso aconteceu há muitos anos atrás.
Certo: Isso aconteceu há muitos anos.

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