Era o final de junho, quando a coluna estreou aqui no Portal do Holanda, após as boas-vindas recebidas do diretor-geral Raimundo de Holanda. Título da primeira coluna: “Esqueceram de mim?” Talvez devesse ter escolhido um tema mais suave para “entrar” num grupo já formado há muito tempo, numa Redação onde eu não conhecia ninguém pessoalmente. E não chegar de supetão, já apontando falhas nisso e naquilo. Afinal, costuma-se dizer, a primeira impressão é a que fica. Mas, não pensei nesses detalhes e, também por “dever de ofício”, fiz o que imaginei ser a coisa certa.
É que o portal havia “esquecido” de citar nome de personagens presos numa operação da Polícia Federal, acusados de fraude em licitação, lavagem de dinheiro e corrupção, num hospital de Manaus. Detalhe: o portal acompanhou tudo desde o início, com uma ampla cobertura sobre a operação, da mesma forma que outros veículos de comunicação, que publicaram nome e sobrenome dos envolvidos. Assim foi o começo da chegada aqui. E ao longo desses seis meses, a coluna tem abordado diversos temas, quando também aproveita para sugerir pautas à Redação, por exemplo. Nesse item, é forçoso registrar, não houve grandes progressos. Mas também é justo reconhecer avanços, a exemplo de reportagens interessantes e bem elaboradas.
Internamente, a coluna faz pequenas observações sobre o material divulgado, chamando a atenção para os “descuidos” gramaticais que devem ser evitados. Afinal, é difícil não cair nas “armadilhas” da idioma pátrio, todos sabem. Eu sei. Procuro ter o máximo de cuidado, o mesmo cuidado que recomendo à Redação, mas o êxito nunca é total. Entro nesse detalhe para, numa espécie de “prestação de contas”, dizer aos colegas da Redação que tenho aprendido muito com todos eles. E também, sem conseguir esconder a vaidade, devo falar da visível melhoria no material divulgado: não apenas no texto, mas também na consistência de informações em cada notícia. Ganha o leitor.
JORNALISMO X INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
O avanço da tecnologia na área de comunicação produziu uma ferramenta com o nome de IA (Inteligência Artificial), trazendo um grande problema para o jornalismo feito até hoje. Na última quarta-feira 27, o jornal americano The New York Times anunciou que entrou na Justiça contra a OpenAI, laboratório que criou o ChatGPT, e a Microsoft, por violação de direitos autorais. “A Microsoft é uma das grandes investidoras na OpenAI e usa sua tecnologia de inteligência artificial em seus buscadores e outras ferramentas”, informa o NYT, que alega ter “bilhões de dólares em prejuízos legais e reais”. De que forma? “Cópia e uso ilegal das obras valiosas e exclusivas” do jornal.
Ou seja: as empresas criadoras do ChatGPT “e de outras formas populares de IA”, simplesmente utilizaram artigos publicados pelo NYT “para treinar chatbots automatizados que agora competem com o veículo de notícias como fonte de informações confiáveis”. Diz a reportagem publicada no dia 27: “O NYT conseguiu, nos últimos anos, criar um modelo de negócios bem-sucedido no jornalismo online, mas vários veículos viram suas receitas minguarem com a migração de leitores para a internet. Enquanto isso, a OpenAI e outras empresas de tecnologia de inteligência artificial, que utilizam uma ampla variedade de textos online, desde artigos de jornal até poemas e roteiros, para treinar chatbots, estão atraindo bilhões de dólares em investimentos”.
O jornal The New York Times é um dos maiores dos Estados Unidos e entrou na Justiça, alegando violação de direitos autorais. De forma crua: uma coisa chamada IA é alimentada pelo roubo da produção intelectual alheia, em grande escala. E aí se torna dona do roubo. E faz concorrência com o “expropriado”. Essa nova realidade, diga-se, não atinge apenas o jornalismo: escritores já começaram a fazer as mesmas queixas. Esse pode ser um novo e mais sério desafio para o trabalho do jornalista. Ainda nem existe legislação sobre a questão, mas o estrago parece que já começou.
FELIZ 2024!

