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ELEIÇÕES 2012: Serafim diz que só vê Amazonino como adversário

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Aos 65 anos, 24 dos quais na política, o líder do PSB, Serafim Corrêa, diz   que seu opositor natural na disputa pela prefeitura de Manaus é Amazonino Mendes.  " Em 2004 eu ganhei, em 2008 ele ganhou e agora em 2012, de novo somos os dois polos, ele que está no poder e eu que estou na oposição".

Nesta entrevista ao Portal do Holanda, Serafim também fala dos gargalos no abastecimento de água, no trânsito, transporte coletivo e mobilidade urbana, defendendo um amplo entendimento entre prefeitura, governo e sociedade. 


Portal do Holanda – Essa definição de um candidato a vice é uma estratégia do PSB para ter uma chapa puro-sangue ou o sr. pretende abrir para alianças com outros partidos?

Serafim Corrêa – A vida do PSB está definida. Nós reunimos várias vezes e chegamos à conclusão de que o nosso eleitor, que nos campanha há muito tempo nos cobrava uma posição de independência. E essa posição de independência está adotada. Com todo o respeito por todos os demais partidos, mas nós sairemos independente de todos os demais partidos. Com chapa própria, com Serafim Corrêa prefeito, Marcelo Ramos vice, 43 candidatos a vereador e 19 candidatas a vereadora.

Portal – Atualmente quem está mais em discussão na corrida para a prefeitura é o sr., que já foi prefeito e o prefeito atual Amazonino Mendes. Como o sr. avalia a possibilidade de uma polarização entre os dois?

Serafim – É assim, quem quer ganhar Copa do Mundo não escolhe adversário. Agora, uma coisa é verdade: desde 2004, os dois polos eleitorais da cidade de Manaus são Serafim e Amazonino. Em 2004 eu ganhei, em 2008 ele ganhou e agora em 2012, de novo somos os dois polos, ele que está no poder e eu que estou na oposição.

Portal - O sr. é visto como um candidato que faz campanha  de ideias e olhando olho no olho. Esse nível de campanha já está definido, qualquer que seja o adversário?

Serafim – Qualquer que seja o nível que venha, nós vamos manter essa linha. Uma linha de mostrar os problemas da cidade, resgatar o que fizemos para encaminhar soluções dos problemas, e aquilo que propomos daqui pra frente. Quer dizer, o período que nós ficamos na prefeitura eu digo que foi um período de aprendizado. Nós tivemos muitos erros, mas tivemos também muitos acertos, muitos acertos além dos erros que tivemos. E com uma dificuldade de recursos muito grande.
Veja que a atual administração teve mais do que nós quatro bilhões de reais, o que dava pra fazer quatro pontes do bilhão. Mas a prefeitura de Manaus não fez nenhuma ponte. Então, nós trabalhamos com quatro bilhões a menos e fizemos muita coisa.

Portal – Quando o sr. foi candidato em 2004, a questão da água foi um dos motes de campanha. Muitas áreas da cidade estavam desabastecidas e esse problema não foi resolvido de lá até a agora. O que o sr. realmente fez na sua administração e o que ficou faltando fazer?

Serafim – Em 2005 e 2006 nós enfrentamos essa situação, que era crítica. Em janeiro de 2007 nós repactuamos o contrato. Isso permitiu dar uma guinada na questão da água e do esgoto em Manaus. O relatório da Arsam atesta que 80 mil novos domicílios receberam água nesse período, após a repactuação. E 700 quilômetros de rede foram colocados nas ruas de Manaus.
A repactuação possibilitou que a concessionária investisse R$ 140 milhões que resultaram no aumento da produção de água na Ponta do Ismael em dois metros cúbicos a mais por segundo, ou seja, dois mil litros de água por segundo. Segundo, 38 km de adutoras, mais bombas de recalque, uma série de equipamentos pra poder jogar essa água para 11 reservatórios, que totalizam 55 milhões de litros. E a prefeitura tomou emprestado do governo federal R$ 60 milhões pra fazer rede. E fez 700 km de rede. Isso foi um avanço significativo.

Portal – Em que zonas foram feitos esses 700 km?

Serafim – Na zona Norte e zona Leste. Isso está no relatório da Arsam, é só pegar o relatório e ver. Na repactuação, nós autorizamos o Proama, que está quase concluído. A informação que tenho é que faltam R$ 20 milhões para fazer os serviços finais do Proama. E em seguida precisa algo que aí tem que ter muita humildade. É o governo do Estado e prefeitura negociarem.
 Me parece que por parte da atual administração municipal, ela não tocou absolutamente nada no que diz respeito à água, nesse período. Simplesmente o atual prefeito fez de conta que não era com ele, que ele não tinha nada a ver com isso. Quando na verdade, ele é o ator principal. Tem que ter humildade para procurar o governador, sentar e ver quais são as interligações, ver se o governo do Estado vai fazer ou se não vai.
Tem de ver como será a venda da água, porque o governo vai produzir a água e vai vender para a prefeitura, e a prefeitura vai repassar essa água para a concessionária, que vai distribuir e obviamente vai ressarcir o município. E essa é uma negociação que precisa ser feita entre prefeito, governador, concessionária e a sociedade.

Portal – Tem sido dito que os grandes consumidores não pagam água em Manaus.

Serafim
– O sistema de abastecimento de água em Manaus ele é singular no Brasil. Manaus tem seis mil poços, que são dos seis mil consumidores de maior quantidade de água. São as fábricas de refrigerante, de cerveja, as indústrias do Distrito Industrial e os grandes condomínios. Enfim, quem pode pagar e consome muito não está no sistema, contrariando a Lei de Saneamento, que diz que ele é obrigado a estar no sistema e não poder ter poço. E isso terá de ser resolvido, até porque a tendência é o aquífero em Manaus secar, com tantos poços sugando água do aquífero.

Portal – Mas a lei não determina que mesmo a água de poço tem que ser paga?

Serafim – Deveria, mas o que está dito na lei é assim: “Todos os domicílios são obrigados a ligar na rede”. E estando ligado na rede não pode ter poço. Ora, isso impõe, por exemplo, a todo o Distrito Industrial ligar na rede. Ele não está na rede, todo ele tem poço.

Portal – Tem sido dito nas audiências, inclusive nos parlamentos, que essa questão dos grandes consumidores não pagarem a água seria um dos principais fatores para elevar o preço da tarifa social. O sr. concorda com isso?

Serafim – É o seguinte: isso aí debilita o sistema, porque se eles estão fora do sistema, óbvio que alguém está pagando a conta de toda a água, que é a produção da água dividida pelos consumidores. No momento em que os grandes consumidores não estão participando desse pagamento, óbvio que sobra uma conta maior, e essa conta maior cai na costa da classe média.  A classe média é quem paga essa conta. O prefeito tem que ser o articulador disso tudo.

Portal – Nós estamos vendo surgir aí novamente a questão do lixo, do Aterro Sanitário. Como o sr. vê isso, o sr. deixou o Aterro pronto ou projeto para ser continuado?

Sarafim – Vamos lá. Quando nós chegamos na prefeitura tinham 300 pessoas morando no Aterro em condições subumanas.  Nós retiramos essas pessoas, organizamos em cooperativa, destinamos a eles a coleta seletiva de lixo para eles poderem fazer a reciclagem. E aquilo que era uma lixeira virou um aterro controlado .
A nova Lei de Resíduos Sólidos veio e diz que os grandes produtores de lixo são obrigados a dar o destino final do seu lixo. Aí o que fez a prefeitura? A prefeitura que nunca cobrou pelo descarte do lixo industrial fez o seguinte: deixou de receber o lixo industrial. As empresas tiveram de procurar um aterro privado e só tem um, que tem muitos problemas como MPE, MPF, com o Ipaam, com o Ibama, porque eles aterraram um igarapé. Enfim, eles não têm condições de receber esse lixo.

Portal – Como poderia ser resolvido esse problema?

Serafim – Eu entendo que a prefeitura paga R$ 56 por tonelada pela coleta a destinação final do lixo. Se ela permitisse que o descarte fosse feito no Aterro, mediante o pagamento desse valor, aí ninguém ganharia e ninguém perderia. Quer dizer nem as empresas vão perder ou vão ganhar, nem a prefeitura vai perder ou vai ganhar. Vai ser o jogo do zero a zero.
Do jeito que ficou, essa empresa que é a Setran é a grande beneficiada, porque como só tem ela, ele impôs o preço de R$ 400 por tonelada, ao invés de 56.
 
Portal – qual foi o investimento que a sua administração fez nessa questão do lixo?

Serafim – Eu não saberia precisar o número, mas posso dizer que o aterro ele é feito no dia a dia. Eu não saberia precisar os valores, eu até vou resgatá-los para ter isso sempre na ponta da língua.

Portal – Mas esse Aterro ainda continua dando conta do lixo da cidade?

Serafim – Sem dúvida. Agora, claro que Manaus tem que resolver esse problema. Porque esse Aterro ele tem uma sobrevida de sete anos. E isso é uma coisa que nós temos de cuidar desde logo. E é bom que a sociedade esteja atenta para essa discussão. Eu faço esse alerta agora, porque depois que privatiza, depois que dá a concessão, tem que respeitar o contrato. Que é o caso da água. A concessão é por trinta anos, vai até 2030 e a prefeitura tem que respeitar. Essas bravatas de que vai tirar a empresa, não tira. Porque o contrato de concessão é um contrato que dá tantas garantias à empresa, e isso é assim no mundo capitalista, que é muito difícil você retirar uma concessionária.

Portal – O que o prefeito precisa fazer para que o trânsito flua em Manaus? Os viadutos são a solução?

Serafim – Sem eles não tem solução. Vamos imaginar Manaus sem os três viadutos projetados por nós. A Recife sem o Miguel Arraes, a Bola do Coroado sem o Gilberto Mestrinho, a Paraíba sem aquela passagem de nível. Seria um caos.
Agora, o que aconteceu em Manaus. Manaus tinha 240 mil carros quando eu entrei na prefeitura. Hoje Manaus tem 612 mil. Em 332 anos de existência, entraram em Manaus 240 mil carros. Em oito anos, esse número pulou para 612, portanto uma diferença de 372 mil carros em oito anos.  Isso é uma loucura. Mas nós não podemos resolver isso, porque os carros já estão aí. E Manaus tem poucos corredores.
Por outro lado, Manaus sofre do fenômeno do “tranca rua”. A Cohabam do Parque Dez não deveria ter sido construída onde foi, ela tinha que deixar a Paraíba prosseguir. A Paraíba foi projetada para ser uma paralela da Recife e terminou que ela foi fechada ali. Resultado, todo o trânsito da Paraíba vai pra Recife que deságua na Torquato.
 
Portal – O sr. fala dos gargalos no trânsito?

Serafim – Isso. Dos gargalos de Manaus que precisam ser rompidos. Dou o exemplo ali no entorno do viaduto Miguel Arraes onde tem gargalos que precisam ser rompidos, desapropriações precisam ser feitas. E na frente da Ufam, da Bola do Coroado até o Japiim, tem que ser rasgadas mais duas pistas indo até a Bola da Suframa. Fora disso não tem solução, ali tem que ser quatro pistas.


Portal – A prefeitura teria recursos para isso ?

Serafim -  Tem obras que o orçamento da prefeitura não comporta. A maioria das obras de infraestrutura o orçamento da prefeitura não comporta. Precisa da parceria com o governo do Estado e com o governo federal.

Portal – O prefeito que entrar, ele já deve chegar com um planejamento para tentar quebrar os gargalos dentro da administração pública, para que governo e prefeitura possam olhar a administração de Manaus como um todo?

Serafim – O que eu defendo é assim. O próximo prefeito, eu espero que seja eu, tem que assumir e imediatamente e contratar uma empresa de engenharia para propor soluções. Agora tem gargalos que são óbvios, que tem que tirar logo. Não precisa ser engenheiro pra ver que aquilo é um gargalo. Nós outros que não somos engenheiros sabemos quando é um gargalo e que precisa ser retirado.

Portal – Na questão da mobilidade urbana, o que seria necessário hoje para colocar Manaus uma cidade dentro de um padrão aceitável?

Serafim – Precisa fazer muita coisa. Primeiro é resgatar as calçadas. Hoje (sexta-feira) tem uma matéria na Folha de São Paulo e em todos os grandes jornais brasileiros, inclusive os jornais de Manaus, sobre a questão das nossas calçadas. Eu diria até que essa também é uma questão que precisa envolver a prefeitura e a sociedade. Porque a sociedade tem que estar ao lado da prefeitura para fazer o que tem que ser feito.
Você anda no Centro e vê que as calçadas estão ocupadas, ou por camelôs ou pelas lojas. Em outras áreas da cidade as calçadas estão ocupadas por carros. E essas pessoas moram na cidade, são habitantes da cidade, que precisam, em primeiro lugar ser conscientizadas de que isso não pode ser feito.
Na questão dos camelôs eu defendo uma solução pactuada. Onde a prefeitura adotaria o mesmo critério do Prosamim, daria uma indenização para que ele saia dali. E a prefeitura, ao invés de ela construir um só camelódromo, utilizar áreas desocupadas no Centro para construir pequenos camelódromos. E é bom dizer que eu deixei um camelódromo pronto, e o Amazonino transformou num teatro que até hoje não exibiu uma única peça de teatro.  A primeira que ele exibir eu vou lá assistir.

Portal – Na questão do transporte coletivo urbano qual seria a solução: BRT, Monotrilho, ajustes no sistema?

Serafim – O Monotrilho eu não tenho simpatia por ele. É um projeto muito caro, não é transporte de massa, e eu sou mais simpático ao modelo BRT. Agora óbvio que o BRT só vai funcionar em Manaus se respeitarem a faixa que é só para ônibus. Se ninguém respeitar ele não vai funcionar. 
Agora, o grande problema de Manaus não é a falta e ônibus, o problema de Manaus é a velocidade do ônibus que é muito baixa. E ele não tem velocidade por conta do trânsito, principalmente nos corredores. Por isso que nos corredores a gente precisa romper com os gargalos. Na hora que romper com os gargalos, a gente melhora o trânsito e já melhora o horário do transporte coletivo.
Vou lembrar uma coisa que nós fizemos e que o Amazonino desfez.  A integração temporal, que é fundamental para melhorar o transporte coletivo. Essa é uma solução que a tecnologia permite fazer e todos ganham. O sistema como um todo ganha.

Portal – Hoje existem três nomes que nas pesquisas de consumo interno estão aparecendo bem colocados: o deputado Marcos Rotta (PMDB) a Deputada Rebecca Garcia (PP) e o vereador Hissa Abrahão (PPS). Os três juntos somam mais de 55% das intenções de voto. O sr. vê nisso um anseio por renovação dos quadros políticos?

Serafim – A renovação é bem vinda. Eu não sou contra a renovação, até porque eu acho que esse é um processo natural. Mas qualquer pesquisa quantitativa agora, ela diz muito pouco. O importante são as pesquisas qualitativas. Nós, até por uma dificuldade conhecida de todos, dificuldade de recursos, nós não temos nenhuma pesquisa por enquanto. Portanto eu não posso falar. Óbvio que nós vamos ter um pouquinho mais à frente. Agora daremos prioridade para as pesquisas qualitativas.

Portal – A chapa do PSB tem as qualidades necessárias para essa disputa?

Serafim – A nossa chapa tem o equilíbrio da experiência, através da minha pessoa, e da juventude, da renovação, da ousadia de um dos melhores quadros da nova geração da política no Amazonas, que é o deputado Marcelo Ramos. Eu diria até que ele é o melhor quadro da nova geração. Qualificado, preparado, estudioso, combativo, pronto pra qualquer debate. Sabe recuar na hora que é pra recuar, sabe avançar na hora que é pra avançar. E por certo ele dará uma grande contribuição na administração a partir de primeiro de janeiro de 2013.

Portal – A prefeitura de Manaus tem agido em relação a questões como a Região Metropolitana e a Zona Franca como se não tivesse nada a ver nem com uma nem com outra . O sr. acha que essa postura é prejudicial ao município?

Serafim – Sim, é, e eu diria que isso não é uma crítica. Embora eu e ele (prefeito Amazonino) vivamos nos criticando, mas o que eu vou dizer agora não é uma crítica. Eu vejo assim: o atual prefeito ele não gosta de ser prefeito. Das outras duas vezes ele foi prefeito para servir de trampolim para ele ser governador. Ele gosta mesmo é de ser governador. De ser prefeito ele não gosta. Ele sofre de uma síndrome, que é de ser governador.


Portal – Hoje, por exemplo, a Suframa tem como maior gargalo, segundo o superintendente Thomaz Nogueira, a falta de área para expandir o DI. O sr. acha que a prefeitura deveria participar dessa discussão?

Serafim – É, mas olha só, a prefeitura também não tem terrenos. Os terrenos estão nas mãos de particulares e da União. A União tem terrenos em Manaus, a prefeitura não.  Nesse aspecto eu vejo que o governo federal transfere muito para o município, e a postura do Thomaz revela isso. Quer dizer, ele quer atribuir todas as responsabilidades para o município, quando o município está no canto da parede, sendo pressionado por demandas sociais, por demandas urbanas para as quais ele não tem recursos. E o governo federal além não dar a mão ao município, ainda cobra.
O que o Thomaz tá querendo dizer é: prefeitura, arruma terreno pra eu trazer empresa. Não é assim que a coisa funciona. Se a prefeitura tivesse terreno, ótimo. Estaria de pleno acordo, mas ela não tem os terrenos que o Thomaz deseja.

Portal – O sr. diria que a prefeitura hoje é uma inquilina dentro da área do município?

Serafim – Quase isso. Até o prédio onde ela funciona, a sede da prefeitura, é do governo do Estado, está cedido em comodato por 20 anos. Até nisso, a prefeitura não tem espaço nem pra sua sede. 









































 
 



 

 

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