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Otan não confirma ataque do Irã à base do Reino Unido e EUA no Índico

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte, declarou que ainda não é possível confirmar se a base militar de Diego Garcia, compartilhada pelo Reino Unido e pelos Estados Unidos no Oceano Índico, foi alvo de mísseis balísticos intercontinentais do Irã no último sábado (21). Em entrevista exclusiva à CBS News, Rutte afirmou: “Não podemos confirmar isso neste momento, então estamos investigando”. O dirigente da aliança militar é conhecido por apoiar as ações dos EUA e de Israel contra o Irã.

Questionado sobre a capacidade do Irã de atingir cidades europeias, como afirmam autoridades israelenses, Rutte respondeu que, com base nas informações disponíveis, Teerã estaria “muito perto” de desenvolver essa capacidade balística intercontinental. “Se o ataque à base no Reino Unido, em Diego Garcia, realmente ocorreu, ainda estamos avaliando. Mas, se for verdade, significa que eles já possuem essa capacidade. Se não for verdade, sabemos que estão muito próximos de tê-la”, completou.

O Irã, por sua vez, nega ter atacado a base militar conjunta, localizada a mais de 3 mil quilômetros de seu território, e afirma que seus mísseis têm um alcance máximo de 2 mil quilômetros. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, classificou as acusações como uma “falsa bandeira” para desacreditar Teerã. Caso a autoria do ataque seja confirmada, isso poderia envolver Londres e a Otan em um conflito militar.

“O fato de até mesmo o secretário-geral da Otan, que pressiona os membros da aliança a apoiar a guerra ilegal contra o Irã, se recusar a endossar essa desinformação proveniente de Israel, mostra que o mundo está exausto dessas narrativas desacreditadas”, afirmou o porta-voz iraniano.

Fontes militares dos EUA, não identificadas, relataram a agências internacionais que o Irã teria lançado mísseis contra a base, mas que os projéteis não teriam atingido as instalações. Israel utilizou essas informações para sugerir que países europeus deveriam se preparar para a guerra. O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Sa'ar, afirmou que o Irã mentiu sobre sua capacidade balística, ressaltando que apenas Islândia, Irlanda e Portugal estariam fora do alcance dos mísseis iranianos.

O governo britânico tem apoiado politicamente as ações dos EUA e de Israel contra o Irã, inclusive fornecendo suporte logístico para operações de “defesa” na região. Na sexta-feira (20), Londres confirmou que as bases britânicas estão sendo utilizadas pelos EUA para operações de autodefesa, visando degradar capacidades de mísseis que atacam navios no Estreito de Ormuz. A declaração gerou reações do governo iraniano, com o ministro das Relações Exteriores, Seyed Abbas Araghchi, enfatizando que a maioria da população britânica não deseja envolvimento em um conflito.

“Desconsiderando a vontade do próprio povo, o Sr. Starmer [primeiro-ministro do Reino Unido] está colocando vidas britânicas em risco ao permitir que bases do Reino Unido sejam usadas para agressões contra o Irã. O Irã exercerá seu direito à autodefesa”, alertou Araghchi.

Uma das justificativas do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, para atacar o Irã foi a alegação de que Teerã estaria próximo de desenvolver mísseis intercontinentais capazes de alcançar o território americano. Essa afirmação foi reiterada por Mark Rutte. No entanto, os serviços de inteligência dos EUA avaliam que o desenvolvimento dessa tecnologia pode levar mais tempo do que se pensava, sem confirmar que o Irã está realmente perseguindo esse objetivo.

Em audiência no Senado dos EUA na semana passada, a diretora da Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard, afirmou que o Irã poderia alcançar essa tecnologia até 2035. “A comunidade de inteligência avalia que o Irã já demonstrou capacidade de lançamento espacial e outras tecnologias que poderiam ser utilizadas para desenvolver um míssil balístico intercontinental viável militarmente antes de 2035, caso Teerã decida prosseguir com essa capacidade”, disse Gabbard aos senadores. Ela acrescentou que as avaliações sobre o programa do Irã estão sendo atualizadas em razão da guerra e dos "ataques devastadores às instalações de produção de mísseis e às capacidades de lançamento do Irã".

Extraído de Agência Brasil

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