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Taxas longas de DIs sobem puxadas por exterior e caso Flávio-Vorcaro

Reuters

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 19 Mai (Reuters) - As taxas dos DIs fecharam a terça-feira com altas, em especial entre os contratos de longo prazo, impulsionadas pelo avanço dos rendimentos dos Treasuries no exterior e por desdobramentos do caso que envolve o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-dono do banco Master, Daniel Vorcaro, que está preso.

No fim da tarde, a taxa do Depósito Interfinanceiro para janeiro de 2028 estava em 14,06%, em alta de 2 pontos-base ante o ajuste de 14,039% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,35%, com avanço de 10 pontos-base ante o ajuste de 14,25%.

No exterior, as negociações voltaram a ser contaminadas por preocupações inflacionárias decorrentes do conflito entre Estados Unidos e Irã, mesmo depois de o presidente norte-americano, Donald Trump, ter anunciado na segunda-feira o adiamento de um ataque militar planejado para esta terça-feira.

Trump também afirmou que há “uma chance muito boa” de um acordo com o país na área nuclear, mas nesta terça-feira disse que os EUA podem precisar atacar o Irã novamente.

Em reação, investidores voltaram a vender títulos norte-americanos, impulsionando os rendimentos, com a avaliação de que a continuidade da guerra seguirá pressionando a inflação nos EUA.

Às 16h32, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- subia 4 pontos-base, a 4,663%.

No Brasil, as taxas dos DIs se apoiaram no avanço dos rendimentos dos Treasuries, mas também no cenário eleitoral conturbado.

Uma nova pesquisa Atlas/Bloomberg apontou pela manhã que as intenções de voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno da disputa pelo Planalto subiram de 46,6% para 47%, enquanto o percentual de Flávio Bolsonaro caiu de 39,7% para 34,3%. Nas simulações de segundo turno, Lula foi de 47,8% para 48,9%, enquanto Flávio caiu de 47,8% para 41,8%.

A queda de Flávio Bolsonaro ocorre na esteira da publicação de reportagem do Intercept Brasil informando que o senador pediu R$134 milhões a Vorcaro para financiar um filme sobre a história de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado.

O parlamentar negou ter cometido qualquer irregularidade, alegando ter buscado recursos privados para o filme sem oferecer qualquer vantagem em troca.

A pesquisa Atlas ouviu 5.032 pessoas entre os dias 13 e 18 de maio. A primeira reportagem sobre a relação entre Flávio e Vorcaro foi publicada pelo Intercept Brasil na tarde do dia 13. A margem de erro é de 1 ponto percentual para mais ou para menos.

Em mais um episódio do caso, Flávio admitiu no início da tarde desta terça-feira que se reuniu pessoalmente com Vorcaro em São Paulo, após o banqueiro ter tido sua primeira prisão preventiva substituída pelo uso de tornozeleira, no final de 2025.

Em sua justificativa, o presidenciável afirmou que, desde maio do ano passado, Vorcaro deixou de honrar os compromissos que ele tinha assumido para financiar o filme sobre o pai. Segundo Flávio, o encontro com o banqueiro teve como objetivo colocar um "ponto final" nas tratativas e buscar novos financiadores.

No mercado, a percepção é de que a relação de Flávio com Vorcaro -- que está no centro de um dos maiores escândalos financeiros da história do Brasil -- eleva as chances de Lula ser reeleito, o que mantém preocupações quanto ao equilíbrio das contas públicas.

Neste cenário, às 12h23 a taxa do DI para janeiro de 2035 atingiu a máxima de 14,380% (+13 pontos-base), no momento em que Flávio revelava à imprensa em Brasília o encontro com Vorcaro. Perto desse horário, o dólar também marcou a máxima do dia ante o real.

Durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, foi questionado sobre aspectos do escândalo relacionado ao Master, atualmente em liquidação. Segundo ele, o BC nunca tentou facilitar a venda do banco.

Ao tratar dos impactos da guerra no Oriente Médio sobre a inflação, Galípolo avaliou que é "normal" que choques de oferta gerem aumento das expectativas de inflação no curto prazo, mas chamou atenção para o fato de que as projeções para 2028 também estão aumentando, algo que não deveria acontecer.

"Também estamos vendo desancoragem das expectativas de inflação para 2028, que não deveria acontecer considerando apenas os efeitos dos choques atuais", disse Galípolo.

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