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Governo Trump impede viagem de volta de María Corina Machado à Venezuela

Estadão

Autoridades americanas classificaram a tentativa de María Corina Machado, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, de retornar à Venezuela, devastada por terremotos, como um "golpe político" que tem desviado a atenção dos esforços de recuperação.

Na última semana, María Corina tentou retornar ao seu país, dizendo ao governo Trump e ao povo venezuelano que deseja ajudar na recuperação após os tremores. O governo norte-americano rejeitou seus pedidos e disse à líder da oposição que ela se tornou uma distração.

Ela tentou viajar para Curaçau, uma ilha autônoma no Caribe, com a intenção de seguir viagem para a vizinha Venezuela. No entanto, as autoridades holandesas, responsáveis pelas relações exteriores de Curaçau, acabaram rejeitando seu pedido de entrada na ilha, depois que o governo dos EUA não se responsabilizou pela viagem.

María Corina não possui um passaporte venezuelano válido, consequência da discriminação de longa data praticada pelo governo contra cidadãos com tendências de oposição. Por isso, ela precisa exercer pressão externa sobre os governantes da Venezuela para garantir sua entrada no país. Como os Estados Unidos exercem hoje influência sobre a presidente interina, Delcy Rodríguez, o país está em uma posição privilegiada para assegurar a entrada dela.

Os oponentes de María em Washington e na Venezuela argumentaram com sucesso perante altos funcionários da Casa Branca que sua chegada corre o risco de agravar o clima já tenso no país após os terremotos e de comprometer os esforços conjuntos de socorro às vítimas do desastre.

"Acrescentar questões políticas delicadas à situação neste momento é contraproducente para nossos esforços de resposta após essa tragédia", declarou na última quarta-feira, 1º, um porta-voz do Departamento de Estado norte-americano à AFP .

"Nunca vamos abandoná-los. Nunca. Cada fibra da minha alma tem desejado estar fisicamente com vocês desde o primeiro minuto", escreveu María em publicação no X. "Colocaram obstáculos no meu caminho. Mas há uma coisa que eles não podem impedir: minha presença ao lado de vocês", concluiu.

Dois terremotos que devastaram a Venezuela se tornaram o ponto de ruptura de uma relação com Trump que já vinha se desgastando há meses. María Corina usou o desastre para tentar se reinserir no centro da vida política da Venezuela, redobrando seus esforços para obter o apoio dos EUA para retornar ao país.

Mesmo o gesto sem precedentes de María Corina de presentear Trump com sua medalha do Nobel - apesar da oposição do comitê do prêmio - não foi suficiente para convencê-lo. Depois de viver na clandestinidade na Venezuela por medo de ser presa, ela partiu no ano passado para receber o Nobel da Paz e não voltou mais.

Após os terremotos, o governo Trump, por sua vez, priorizou a estabilidade e reforçou a aliança com os adversários de María Corina no governo venezuelano, remanescentes do regime de Maduro.

A Casa Branca pediu que María Corina permanecesse paciente e, quando ela ignorou esse conselho, informou-lhe na última semana que ela agora agia por conta própria e não contava com o apoio do governo dos Estados Unidos, segundo sete pessoas a par das discussões.

*Com informações de agências internacionais.

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