NOVA YORK, 7 Jul (Reuters) - Os preços mundiais do café arábica fecharam em forte queda nesta terça-feira, após uma recuperação impressionante que os levou a registrar o quarto maior ganho diário já registrado na sessão anterior, enquanto os preços do cacau fecharam em alta, atingindo novas máximas de seis meses.
Commodities agrícolas como cacau, café e açúcar estão sendo impulsionadas pelo temor de que o atual fenômeno climático El Niño se transforme em um evento forte ou potencialmente muito forte, causando estragos climáticos nas principais regiões produtoras.
Os corretores, no entanto, afirmaram que o ganho de 16% registrado na segunda-feira nos futuros do arábica em Nova York foi exagerado por especuladores tentando recuperar o atraso, já que os mercados dos Estados Unidos permaneceram fechados na sexta-feira devido ao feriado do Dia da Independência.
As compras dos especuladores, segundo eles, geraram sinais técnicos que, por sua vez, estimularam ainda mais compras.
“Foi impulsionado pelos especuladores. Todos já sabem do El Niño há meses”, disse um analista de uma corretora global de commodities.
O café arábica de Nova York , negociado na bolsa ICE, fechou em queda de 32,35 centavos, ou 9,2%, a US$3,176 por libra-peso, um pouco abaixo da máxima de seis meses registrada na segunda-feira, de US$3,57. O café robusta de Londres caiu 4,3%, para US$3.872 por tonelada, após ter subido 8,8% na segunda-feira.
Os corretores também observaram que a ICE elevou os requisitos de margem para o café arábica no final da segunda-feira.
A agência meteorológica das Nações Unidas elevou sua previsão para o El Niño para “forte” na sexta-feira e alertou que ela poderia ser revisada para “muito forte”.
O El Niño é especialmente problemático para o café robusta, pois normalmente traz temperaturas mais altas e redução das chuvas ao Vietnã, maior produtor, e à Indonésia, terceiro maior produtor. No Brasil, maior produtor de arábica, ele tende a causar chuvas excessivas que prejudicam a colheita.
O padrão climático é geralmente mais grave para o cacau, pois tende a trazer chuvas excessivas à África Ocidental, principal produtora, bem como ao Equador. As chuvas na África Ocidental são então normalmente seguidas por ventos secos e quentes do Harmattan, que prejudicam a safra já enfraquecida.
Os preços do cacau quase triplicaram em 2024, quando a safra da África Ocidental foi prejudicada em meio a um El Niño de intensidade moderada a forte, que durou de meados de 2023 a meados de 2024.
O cacau negociado na ICE de Nova York atingiu uma nova máxima de seis meses, de US$5.900, no início do dia. Ele fechou com alta de 1,1%, a US$5.759 por tonelada. O cacau de Londres atingiu uma nova máxima de seis meses, de £4.371, e fechou com alta de 1%, a £4.265 por tonelada.
O açúcar também recuou em relação aos ganhos registrados na segunda-feira. O açúcar bruto fechou com queda de 0,08 centavo, ou 0,5%, a 15,14 centavos por libra, após ter subido 2,5% na segunda-feira. O açúcar branco caiu 2,6%, para US$475,90 por tonelada.
(Reportagem de May Angel e Marcelo Teixeira)



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