Manaus/AM - Após mais de dois anos fechado para visitantes, o Museu do Índio, que completa 70 anos de funcionamento neste 2022, está de portas abertas desde o final de dezembro passado, quando começou a receber visitantes de vários continentes interessados em ver e aprender a história e cultura dos povos indígenas do Rio Negro.
O museu, que funciona ao lado do Centro Educacional Santa Terezinha, na avenida Duque de Caxias, Centro, nasceu de uma inspiração de freiras salesianas que trabalharam e ainda trabalham em missões nos municípios situados ao longo do alto e médio Rio Negro como Barcelos, São Gabriel da Cachoeira, Santa Izabel do Rio Negro onde existem comunidades indígenas como Taraquá, Iatuaretê, Pari-Cachoeira, Içana, entre outras.
Fundado em 1952, em um espaço pequeno na área ocupada pelo colégio e área de moradia das irmãs, hoje o museu ocupa seis salas onde os visitantes como a família do servidor público estadual Josué Benevides da Silva, 38, que se surpreendeu com a beleza dos animais empalhados.
Josué estava com a esposa Zuládia Moraes, as filhas Milka e Ana Cássia, além de sobrinhos, e ao passar pela frente do museu, viu que estava funcionando e decidiu entrar. “Fomos surpreendidos pela riqueza do material e das informações”, disse o servidor, sob a confirmação das meninas.
A guia turística Ninfa Marin, é quem faz o percurso e dá as explicações mostrando as salas com os utensílios domésticos como vasos de cerâmica, as malocas, adereços e armas usados pelos indígenas Tukano, Tikuna e Yanomami, entre outros, até animais empalhados como jacarés e macacos que encantaram a família.
Esses materiais em exibição no museu já foram contemplados por turistas da Noruega, Holanda, Alemanha, França, Suíça, EUA, Japão, Sul, Sudeste, Nordeste e Norte do Brasil, além de visitantes da realeza da Noruega, Espanha e até os príncipes Harry e William, filhos da princesa Diana.
“O museu tem uma história, mas queremos construir novas histórias aqui nesses novos espaços”, disse a irmã Giustina Zanato, que é uma das organizadoras e responsáveis pela expansão do museu, ao conseguir usar o recurso de uma doação para organizar e melhorar os espaços e dar um conforto aos que entram para conhecer o museu.
Na sala de entrada, dois quadros doados pelo falecido pintor Roland Stevenson recepcionam os visitantes, que no percurso ouvem as histórias dos potes usados em rituais sagrados, que são elaborados pelas famílias indígenas, apreciam os materiais feitos em fibras de tucum, o cipó que vira rede, tapete, cortinas e outros utensílios feitos por indígenas baniwas, tucanos e yanomamis.
Há ainda objetos de madeira como chocalhos, que foram expandidos com fogo, enxertados com pedrinhas e ao resfriar voltaram ao tamanho original para ser usados como instrumento de som em rituais de cura, mostra a guia, destacando a diversidade dos materiais usados nos rituais indígenas do Rio Negro.
Um tambor tukano raro, já em desuso nas aldeias, que era usado na comunicação e em rituais é outro ponto de destaque entre os objetos do museu. A informação foi dada por indígena da etnia tukano, em visita ao local, que não só relatou a importância do instrumento musical, todo de madeira, como ele e pediu para tocar e com ele emitiu um som único, revelou a guia turística.
Na última sala, o visitante pode conhecer os objetos usados pelas enfermeiras e médicas salesianas vindas da Itália para as missões em diferentes pontos do Rio Negro.
“O trabalho delas não se restringia a ensinar a Palavra de Deus, mas também em ajudar a tratar e curar as pessoas cujos nomes estão registrados em centenas de livros”, revelou Ninfa.
Para a irmã Giustina, o museu é um meio para transportar o visitante para a cultura e a riqueza das etnias indígenas do Rio Negro. Por isso, ela convida tanto os amazonenses quanto os demais brasileiros e estrangeiros que desejem viajar no conhecimento desses povos que tanto contribuem para a preservação da Amazônia.
O museu funciona de segunda à sexta das 8h30 às 13h e das 13h30 às 16h30. Aos sábados até às 12h.











