Manaus/AM – Por volta de 1984, Raimundo Sebastião Lima Barros, o original, tinha um amigo lá em Rio Branco/AC, onde vivia, que se chamava Assis. Raimundo precisava tirar sua identidade e entregou a certidão de nascimento para Assis tirar a identidade. Assis tirou a identidade e roubou a vida de Raimundo.
Com o RG em mãos, Assis virou Raimundo, foi para Porto Velho/RO e de lá para o garimpo. Depois emitiu outros documentos, como carteira profissional e título de eleitor. Casou e, os filhos de Assis, foram registrados como filhos de Raimundo Sebastião.
Enquanto isso, Raimundo, o original, teve problemas em Manaus, tendo sido intimado pela Receita Federal para recolher mais de R$ 6 mil por não ter declarado rendimentos de aposentadoria e nem aposentado ele era, sem falar nas três vezes que seu CPF foi cancelado.
Assis/Raimundo, achoando que usar a identidade do amigo era pouco, repassou documentos em nome de Raimundo a terceiros que se beneficiaram ilicitamente com a identidade roubada. Mas Assis, que era colega de grupo escoteiro de Raimundo, o original, resolveu mudar seu domicílio eleitoral para Nova Olinda do Norte/AM e foi aí que começou o desmonte do roubo de identidade na 28ª ZE.
Nessa sexta-feira, 12, sentença assinada pela juíza eleitoral Sheila Jordana de Sales o condenou a quatro anos de detenção em regime aberto por falsificação e uso de documentos.
Como se vê e como dizia Carlos Drummond no Poema das Sete Faces, “... se eu me chamasse Raimundo seria uma rima, não seria uma solução...” Não foi.

