Com a vitória do milionário Horacio Cartes nas eleições paraguais nesse domingo (21/4), o Partido Colorado voltou ao poder. A diferença entre o candidato ganhador e o segundo colocado, Efraín Alegre, do Partido Liberal, foi de aproximadamente dez pontos percentuais. O empresário do ramo de tabaco e dono de um clube de futebol é considerado um dos mentores do impeachment de Fernando Lugo, que foi retirado da presidência pela oposição em junho de 2012. As informações são do jornal espanhol El País .
Cartes jamais havia votado em seus 56 anos de vida, para presidente ou no pleito municipal. O estatuto do Partido Colorado não permitia a candidatura de afiliados há menos de uma década. Uma mudança no regimento, em janeiro de 2011, beneficiou a participação de Horacio Cartes nas eleições pela legenda. Até 2008, o Partido Colorado havia comandado o Paraguai por seis décadas — inclusive um período de ditadura militar.
De acordo com a mídia paraguaia, em 1989 o novo presidente passou um tempo na prisão por suposto desvio de verbas. Em 2004, o Ministério Público brasileiro investigou Horacio Cartes por suspeitas de repasse ilegal de dinheiro e contrabando de cigarro vindos do Paraguai. Cartes também esteve na mira da Agência Antidrogas dos Estados Unidos em 2007 por denúncias de lavagem de dinheiro e recaem sobre ele acusações de apoiar o narcotráfico.
Saída controversa
Na metade do ano passado, o então presidente Fernando Lugo foi cassado por decisão do Senado por 39 votos a quatro. Os parlamentares conduziram um processo relâmpago — que durou pouco mais de 24 horas — e alegaram má administração de Lugo. O julgamento foi impulsionado pelo Partido Colorado, da oposição, devido a um confronto que causou a morte de 11 sem-terra e seis policiais. O caso em questão envolvia a desapropriação de uma reserva florestal em propriedade privada. O vice-presidente Federico Franco assumiu o comando do país.
O impeachment foi questionado na Justiça paraguaia. O Colégio de Advogados, o equivalente à Ordem dos Advogados do Brasil, defendeu o processo e não identificou infrações na destituição do presidente. Na Suprema Corte paraguaia, o recurso de Fernando Lugo contra o processo foi negado e foi reconhecida a constitucionalidade do processo. O tribunal, porém, garantiu a Lugo o direito de disputar uma vaga no Senado nas eleições de abril de 2013.
Fiscalização estrangeira
Por causa do impeachment de Lugo, a União Europeia enviou 111 observadores internacionais para acompanhar as eleições no Paraguai nesse domingo. É a primeira vez que a UE manda fiscais para acompanhar o pleito paraguaio. Mais 300 agentes foram enviados por organismos internacionais para a mesma tarefa.
Entre os principais problemas apontados estão a compra de votos e por abstenções, proibidos na legislação eleitoral do país. Outra prática contestada é o "arreo", que consiste em levar os eleitores aos locais de votação. O transporte, que garantiu o deslocamento até as urnas a um quinto do eleitorado paraguaio, não é vedado pelas leis locais.

