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Goleiro Bruno é condenado a 22 anos pela morte de Eliza Samudio

O goleiro Bruno Fernandes foi condenado a 22 anos e três meses de prisão pelo mando e homicídio de Eliza Samudio. A sentença, do Tribunal do Júri de Belo Horizonte, estabelece que os primeiros 17 anos da pena serão cumpridos em regime fechado, excluídos os benefícios previstos na legislação processual penal. Ele já está preso, aguardando julgamento, há dois anos e nove meses, o que será descontado de sua pena.

A ex-mulher de Bruno, Dayanne de Souza, foi absolvida das acusações de sequestro do filho que Bruno teve com Eliza, Bruno Samúdio. Sua absolvição foi pedida pela Promotoria de Justiça depois de ela ter delatado o ex-policial José Lauriano, o Zezé. Ele agora é investigado por sua participação no crime.

De acordo com a sentença, assinada pela juíza Marixa Rodrigues, foram agravantes para a pena de Bruno sua forma de agir “sempre dissimulada da sua real intenção”. “O desenrolar do crime de homicídio conta com detalhes sórdidos e demonstração de absoluta impiedade”, escreveu a juíza.

Observando que “as conseqüências do homicídio foram graves, eis que a vítima deixou órfã uma criança de apenas quatro meses de vida. As consequências quanto ao crime de sequestro da criança são igualmente desfavoráveis, eis que, no primeiro dia do crime ficou, inclusive privada da companhia de sua mãe que tinha sido agredida na cabeça. Foi, ainda, privada de sua liberdade do decorrer dos dias seguintes e depois da execução de sua mãe, passou pelas mãos de diversas pessoas igualmente estranhas”.

Na avaliação do criminalista Luiz Flávio Gomes, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo , Bruno deve ficar preso durante sete anos. Isso porque ele tem trabalhado dentro da prisão, o que conta pra remir sua pena, e tem demontrado bom comportamento.

Além disso, explica o advogado e professor, pelo Código de Processo Penal, ele deve cumprir um sexto da pena em regime fechado até ser transferido para o regime semiaberto. Feitas as contas, Bruno deve progredir de regime em 2020.

Perguntas sem resposta
Em artigo publicado na Folha nesta sexta-feira (8/3), Luiz Flávio Gomes conta que chamou atenção o silêncio de Bruno diante das perguntas do promotor Henry Vasconcelos, responsável pelo caso.

LFG analisa que, como ficou calado diante das perguntas da acusação, dúvidas surgiram entre os jurados, que passaram a também fazer perguntas. Isso, na opinião do professor, é que foi atípico no julgamento de Bruno: os jurados, atentos e em busca de informações, decidiram fazer suas próprias indagações.

O professor entende que, como a linha do tempo do crime exposta pelo promotor foi “precisa e didática”, falou sozinho. Bruno acabou deixando a acusação falar sem contraponto. A Promotoria “demonstrou, minuto a minuto, todas as ligações feitas por ele, antes, durante e depois do crime, para todas as pessoas envolvidas na tragédia, o que evidenciaria sua posição de comando, de domínio, de controle”, escreveu LFG.

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