O Ministério Público de São Paulo denunciou, no último dia 11 de setembro, 175 acusados de participar do Primeiro Comando da Capital (PCC). A acusação é de formação de quadrilha armada para o fim de cometer crimes em todo o estado de São Paulo, especialmente tráfico de entorpecentes, contra o patrimônio e contra a vida de agentes públicos, além da aquisição, posse e manutenção em depósito de armas de fogo, atuando sempre sob a forma de organização criminosa.
O MP-SP pediu a prisão preventiva de todos os denunciados e a decretação de Regime Disciplinar Diferenciado no sistema penitenciário para 35 presos. Os pedidos foram todos rejeitados pela Justiça, sob o argumento de que seria necessário analisar mais detidamente as acusações. O Ministério Público diz em nota que já recorreu destas decisões. O processo tramita sob sigilo.
De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo , as investigações foram feitas pelo Grupo Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) ao longo de três anos. Os promotores reuniram escutas, documentos, depoimentos de testemunhas e informações sobre apreensões de drogas e de armas. De acordo com o Ministério Público, todos os elementos de prova foram produzidos a partir de autorização e controle do Judiciário.
Segundo os dados apresentados pelo jornal, o PCC está presente em 22 estados brasileiros e em três países (Brasil, Bolívia e Paraguai), dominando 90% dos presídios de São Paulo. O grupo tem um faturamento anual de RS 120 milhões, além de um arsenal com 100 fuzis e dinheiro enterrado em sete imóveis comprados pela facção. A principal atividade desenvolvida pela facção é tráfico de drogas, que gera um lucro de R$ 8 milhões por mês.
Ao todo, o grupo tem 6 mil integrantes presos e 1,6 mil em liberdade em São Paulo. Esse número sobre para 3,5 mil em outros estados. Segundo as investigações, a cúpula do grupo, chefiado por Marco Willians Camacho, o Marcola, ordena assassinatos, encomenda armas e drogas, faz planos de resgate de presos e de atentados contra policiais militares e autoridades. O grupo ainda faz lobby e planeja desembarcar na política.
De acordo como Estadão , o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) é um dos alvos da facção. As interceptações telefônicas mostram que pelo menos desde 2011 a facção planeja matar o governador. Em escutas recentes, a ordem de matar o governador foi novamente mencionada.


