A direita no AM que deseja fazer direito. Direita inteligente, não aceita servir de escada para conglomerado empresarial
Em tempos de polarização intensa, o Brasil assiste a um fenômeno que começa, aos poucos, a amadurecer: a separação entre a política da emoção e a política da responsabilidade. E é justamente nesse ponto que o Amazonas se encontra diante de uma decisão estratégica.
A direita já entendeu isso.
Ela reconhece erros do passado, aprende com eles e avança. Não se prende a narrativas simplistas nem a radicalismos improdutivos. Ela sabe que firmeza não é sinônimo de inflexibilidade, e que responsabilidade não é fraqueza, é virtude.
A pergunta que precisa ser feita não é ideológica, nem partidária. É objetiva: O que será melhor para o Amazonas?
Estados não podem ser governados como extensões de disputas nacionais ou para servirem de banco para empresários ou empresárias com passível a longo prazo impagável de suas pessoas jurídicas.
O Amazonas, com suas particularidades geográficas, econômicas e sociais, exige algo mais sofisticado do que alinhamento automático a qualquer corrente política.
É aqui que surge um princípio que deveria nortear qualquer decisão responsável: o melhor partido a seguir, é o partido chamado Amazonas, sei que parece retórica, mas é muito real.
Isso significa compreender que, independentemente de quem ocupe a Presidência da República, hoje ou amanhã, o chefe do Executivo estadual precisa estar preparado para dialogar, negociar e construir soluções com Brasília. Governar um estado isolando-se politicamente do governo federal não é firmeza ideológica; é fragilizar a própria população.
O Amazonas depende diretamente de decisões nacionais: incentivos fiscais, investimentos em infraestrutura, saúde pública e segurança. Um governante incapaz de transitar institucionalmente, ou que priorize disputas ideológicas acima de resultados concretos, compromete o futuro do estado. Por isso, o debate precisa subir de nível.
Da mesma forma, decisões legislativas, votações e posicionamentos institucionais não podem ser analisados de forma isolada ou superficial. Política é, por natureza, o campo da negociação, da estratégia e da construção de maiorias. Simplificar esse processo é desinformar o eleitor.
O Amazonas precisa, mais do que nunca, de uma direita que tenha evoluído. Uma direita que compreenda que nao se pode atuar como torcida organizada. É agir para entregar resultado.
E entregar resultado exige experiência, conhecimento da máquina pública e capacidade de execução.
O eleitor amazonense está diante de uma escolha que vai além de nomes ou rótulos. Trata-se de decidir entre o da política simbólica, baseada em alinhamentos ideológicos rígidos, ou o da política pragmática, orientada por resultados concretos.
A maturidade política está justamente em saber separar esses planos.
No cenário nacional, disputas ideológicas são inevitáveis e até saudáveis dentro da democracia, já plano estadual, especialmente em regiões com desafios estruturais como o Amazonas, o critério precisa ser outro: capacidade de governar com eficiência e responsabilidade.
O Amazonas não pode ser refém de experiências ou de disputas que não produzem resultado prático para sua população.
Mais do que escolher o nome A ou B, o estado precisa escolher um rumo.
E esse rumo passa por uma decisão clara: colocar o Amazonas acima de qualquer projeto pessoal, empresarial, partidário ou ideológico.
Porque, no fim, a política que realmente importa não é a que vence debates, é a que resolve problemas.
E essa é a política que o Amazonas precisa agora.
Hissa Abrahão
Hissa Abrahão é economista, professor universitário, mestre, doutorando, ex-deputado federal e vice-prefeito de Manaus.
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