Com Roberto Cidade à frente do governo neste momento de transição e diante da eleição indireta para o mandato tampão no Amazonas, é natural que a temperatura da política suba. Esse processo integra a própria democracia e segue a regra constitucional para a dupla vacância no fim do mandato. O que não pode ser normal é a discussão sair do campo das ideias e descer para ataques pessoais, invasão da vida privada e acusações sem prova. O povo já está cansado desse tipo de disputa.
Se há suspeitas sobre contratos, relações empresariais ou qualquer possível irregularidade, o caminho correto é a apuração pelos órgãos competentes — Ministério Público, Tribunal de Contas e demais instâncias de controle. É ali que fatos devem ser investigados com responsabilidade. Não se pode transformar qualquer vínculo com o poder público em condenação automática. O debate sobre o mandato tampão precisa ser limpo, honesto e baseado em fatos.
A imprensa também tem papel decisivo nessa transição. Não lhe cabe produzir escândalo ou servir de voz para interesses ocultos, mas investigar, ouvir todos os lados e informar o cidadão com relevância. O Amazonas precisa atravessar esse momento com maturidade, respeitando o vencedor da eleição indireta e preservando o nível do debate público. Democracia se fortalece no respeito às regras, não na baixaria.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.




Aviso