A política é feita de movimentos. Planos mudam, estratégias são revistas, cenários se reorganizam. O ex-governador Wilson Lima afirmou que a renúncia do então vice-governador Tadeu de Souza alterou o quadro político e lhe deu segurança para disputar o Senado. Reconheceu a capacidade técnica do ex-vice, mas destacou que o momento exigia também “estabilidade institucional” e “relação institucional”.
A explicação foi apresentada. E explicações são necessárias.
O ponto é que a Constituição já prevê a estabilidade institucional por meio da sucessão regular. Se o titular renuncia, o vice assume. Esse mecanismo existe justamente para impedir rupturas, insegurança ou improviso.
Se a capacidade técnica estava reconhecida e o sistema constitucional garante continuidade, o que, exatamente, mudou no cenário para que a decisão fosse considerada segura? Que elemento adicional era indispensável para assegurar essa estabilidade?
Essa não é uma pergunta hostil. É uma pergunta republicana.
O governo do Amazonas não é um projeto pessoal. É uma instituição. E instituições não podem depender de fatores implícitos, arranjos pouco claros ou circunstâncias que escapem à compreensão pública.
A sociedade não exige detalhes de bastidor. Exige coerência. Exige previsibilidade. Exige transparência proporcional ao peso da decisão.
Quando duas renúncias ocorrem no mesmo dia e a justificativa aponta para uma “mudança de cenário”, o dever democrático é iluminar esse cenário — não deixá-lo nas sombras.
Porque, no fim, estabilidade institucional não é sensação individual. É compromisso público.
E quanto maior o cargo, maior deve ser a clareza.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.




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