A história da Zona Franca de Manaus é marcada por sucessivas batalhas. Ora discutem-se os prazos dos incentivos; ora interpretações administrativas reduzem seu alcance; em outras ocasiões, cabe ao Judiciário reafirmar direitos que pareciam consolidados.
Essa sequência de incertezas impõe um custo silencioso: afasta investimentos, dificulta o planejamento e fragiliza a geração de empregos.
Nada disso reduz a importância da Zona Franca. Ao contrário. Seu papel para a economia, a integração nacional e a preservação da floresta é inquestionável. Justamente por isso, cabe perguntar:
Um Estado com potencial em bioeconomia, turismo, ciência, energia e mineração responsável pode continuar dependente, quase exclusivamente, desse modelo. Defender a Zona Franca continua indispensável; depender apenas dela talvez já não seja suficiente.
Esse debate deve ocupar lugar central nas eleições de 2026. Defender a Zona Franca será compromisso de qualquer candidato competitivo. O eleitor, porém, tem o direito de exigir mais:
Um projeto que amplie a base econômica do Estado e reduza sua vulnerabilidade diante de recorrentes disputas administrativas, legislativas e judiciais.
O desafio do próximo governo será preservar a Zona Franca sem manter o Amazonas refém das incertezas que periodicamente cercam seu principal instrumento de desenvolvimento.
A defesa firme dos incentivos constitucionais deve caminhar ao lado da construção de novas matrizes econômicas. Essa é, talvez, a agenda mais estratégica para o futuro do Estado.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.



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