Aproveitando um desabafo e um texto irretocável de meu amigo Gilvan Seixas, escrito no Facebook, sobre a idade, ouso também fazer um artigo sobre o tema.
O título Velho e velhice, soa como palavras de conteúdo e peso psicológico terríveis, sobre a mente humana, em particular do idoso que se acostumou a vê-la, ouvir e chegar. Envelhecido e sem condições físicas de desfrutar na sua totalidade da recompensa, já se considera velho, e essa velhice cria-lhe problemas diuturnos e crescentes. Outro dia fui abordado por um amigo de longas datas, com esta pergunta: Você se considera um velho? Pasmei por alguns instantes e o respondi que não, visto que a vida é linda e a velhice não é coisa inesperada é o resultado das mais diversas fases da sua existência desde o nascimento, crescimento, até chegar à idade adulta, mesmo se notando na nossa face, todas as manhãs, sinais inexoráveis da marcha do tempo refletido através de um espelho.
No meu conceito de velhice, assim me expresso: "Você é velho quando se renova a cada dia, quando tem projetos e olhos postos no horizonte, quando seu calendário tem manhãs e quando tem as rugas marcadas pelo sorriso". Assistimos, nos dias atuais, ao homem que, no maior dos desafios, civilizou-se, e, pela evolução do seu saber, conhece a si mesmo. Dentro dos seus conhecimentos, conseguiu dominar os fenômenos da natureza, culminando com a conquista do espaço sideral, controle das doenças após estudos das mais diversas áreas do corpo humano, chegando a um limiar, onde transplantes de órgãos têm salvado muitas vidas. A descoberta do genoma humano é o máximo dessas descobertas, quando é possível se conhecer o que passa no interior das células que formam nosso universo corporal.
Na área da Odontologia, já se acha em andamento a preparação de profissionais para executar a Odontogeriatria, especialidade da Odontologia que especificamente cuidará da saúde do velho, tanto no campo reabilitador como cirúrgico e protético, referindo-se, ainda, à Odontologia, já se vislumbra a utilização de células-tronco, capazes de diferenciar em qualquer tecido do organismo, extraídas do próprio paciente, para criar, em Laboratório, um tecido que daria origem a um dente completo, através de uma pequena cirurgia e nas gengivas se colocaria por meio de anestesia local estas células, e dentro de alguns meses, um novo elemento dental surgiria com estruturas completas fixadas na maxila ou mandíbula e vasos sanguíneos capazes de irrigar o elemento dentário.
Estes testes tiveram sucesso em camundongos, e com isto é um caminho promissor para serem aplicados em seres humanos, pois é o que afirma o jornal britânico The Guardian. Mesmo assim, esse homem sábio de conhecimento, desgraçadamente ainda sofre ao invés de regozijar-se na última fase da vida cheia de problemas diários pelo estresse que é acometido, vivendo um calvário de tensão imposto por uma sociedade mercantilista, ao inverso dos nosso antepassados que formavam populações isoladas e que sobreviviam por meio de hábitos saudáveis e por isso viviam mais esperando a morte dentro de um limiar de tolerância e não culminando com estado mórbido, como se vê na geração nossa. Enfim, viver é envelhecer. A cada instante insensível e irreversivelmente à ação do tempo vai se fazendo sentir sobre o organismo humano, construído na época da concepção, do crescimento e do desenvolvimento.
O tempo passa pela ação deletéria a partir de certa idade. O efeito é o encurtamento da existência a não ser que medidas preventivas sejam tomadas, se não para evitar tal desfecho, pelo menos para ampliar a expectativa de vida.
Faço o presente artigo na data em que passo a ser chamado de velho, no dia de meu aniversario, dez de julho.
Espaço Crítico
Flávio Lauria possui graduação em Administração pela Universidade Federal do Amazonas, mestrado em Administração Pública também pela UFAM e doutorado pela Universidade de Barcelona na Espanha. Foi Secretário Municipal de Administração, Diretor de Planejamento do Tribunal de Contas do Amazonas, e atualmente é Consultor de Empresas com ênfase em Planejamento Estratégico.
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