Ibovespa recua pressionado por Bradesco
Por Paula Arend Laier
SÃO PAULO, 6 Fev (Reuters) - O Ibovespa recuava nesta sexta-feira, pressionado particularmente pela queda de quase 5% das ações do Bradesco, em meio à decepção de analistas com as previsões do banco para 2026, enquanto B3 era um contrapeso após "upgrade" de analistas do UBS BB.
Por volta de 12h10, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, cedia 0,2%, a 181.763,04 pontos, após avançar a 182.684,89 pontos na máxima da sessão mais cedo. O volume financeiro somava R$8,2 bilhões.
"Algo parece estranho, sim, no curtíssimo prazo", afirmaram analistas do Itaú BBA no relatório Diário do Grafista, avaliando que o mercado internacional entrou em um movimento claro de realização, enquanto, no Brasil, o Ibovespa ainda mostra fôlego -- mas até certo ponto.
"A divergência pode cobrar seu preço caso a aversão a risco lá fora se intensifique, especialmente após quedas fortes de ativos como bitcoin, ouro e prata no último pregão (quinta-feira)", acrescentaram, ressaltando, porém, que isso não muda o cenário positivo para o Ibovespa no médio prazo.
Para os analistas, o Ibovespa também segue em tendência de alta de curto prazo e próximo da resistência em 187.400 pontos. "Se conseguir renovar a região de máxima, o caminho seguirá livre para atingir os 200.000 pontos", acrescentaram, avaliando que, do lado da baixa, há espaço para realização de lucro.
"Neste caso, o índice encontrará suportes em 180.000, 177.700 e 171.800 pontos -- patamar que mantém o índice em tendência de alta."
No exterior, Wall Street tinha uma sessão mais positiva nesta sexta-feira, com o S&P 500 em alta de 0,93%, após três quedas seguidas, período em que acumulou perda de 2,55%. Amazon, contudo, recuava forte após estimar crescimento expressivo em investimentos envolvendo inteligência artificial.
DESTAQUES
- BRADESCO PN caía 4,82%, após mostrar lucro de R$6,5 bilhões no quarto trimestre do ano passado, com retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) de 15,2%. O banco também divulgou previsões para 2026, incluindo estimativa de crescimento de 8,5% a 10,5% na carteira de crédito expandida e margem financeira líquida de R$42 bilhões a R$48 bilhões.
- B3 ON avançava 4%, endossada por relatório de analistas do UBS BB, que elevaram a recomendação das ações para compra e o preço-alvo de R$16 para R$19,50, destacando perspectiva de aumento de receitas. Na véspera, o presidente-executivo da B3 também estimou para este ano a retomada das ofertas públicas iniciais de ações (IPOs) no mercado brasileiro.
- BTG PACTUAL UNIT, que reporta balanço na segunda-feira, subia 1,42%, enquanto BANCO DO BRASIL ON, que divulga o resultado na quarta-feira, caía 2,05%. Ainda no setor, dos bancos que já apresentaram seus números, ITAÚ UNIBANCO PN avançava 0,72% e SANTANDER BRASIL UNIT cedia 3,5%.
- PETROBRAS PN tinha variação positiva de 0,03%, tendo como pano de fundo acréscimo discreto do preço do petróleo no exterior, com o Brent subindo 0,27%. A estatal anunciou a compra de participação de 42,5% em bloco de exploração de petróleo na costa da Namíbia, bem como recebeu R$1,65 bilhão dos parceiros dos blocos de Sépia e Atapu por complemento da compensação firme (earnout) referente a 2025.
- VALE ON cedia 0,28%, na esteira de nova queda dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado na Dalian Commodity Exchange fechou as negociações diurnas em baixa de 1,23%. A mineradora também disse que identificou três novas medidas judiciais relacionadas a extravasamentos em unidades em Minas Gerais.
- MULTIPLAN ON perdia 0,94%, após lucro líquido de R$421,6 milhões no quarto trimestre, valor 17,7% menor que observado no mesmo período de 2024. O Ebitda nos três últimos meses de 2025 foi de R$707 milhões, alta 6,1% na base anual. Ambos os números ficaram acima das previsões de analistas compiladas pela LSEG.
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(Por Paula Arend Laier)
ASSUNTOS: Economia