Fed deve manter juros e dar início a pausa em cortes
Por Howard Schneider
WASHINGTON, 28 Jan (Reuters) - O Federal Reserve deve manter a taxa de juros nesta quarta-feira, em uma pausa que os investidores veem durar além das reuniões finais do chefe do banco central dos Estados Unidos, Jerome Powell, em março e abril, com a expectativa de que seu sucessor assuma o cargo até meados do ano e com as autoridades divididas sobre a necessidade de mais reduções nos custos de empréstimos.
Dados mais recentes mostraram que a taxa de desemprego dos EUA caiu para 4,4% em dezembro, apesar do crescimento fraco do emprego, e economistas preveem que o índice de preços PCE excluindo os custos de alimentos e energia aumente para 3% na comparação anual, bem acima da meta de 2% do Fed.
Com os gastos do consumidor permanecendo fortes e a política fiscal provavelmente impulsionando o crescimento nos primeiros meses do ano, "o que está claro é que, dada a força da economia dos EUA... não há urgência em reduzir os juros de forma agressiva", escreveu Seema Shah, estrategista global chefe da Principal Asset Management, em uma análise da próxima reunião do Fed.
O Fed divulgará sua decisão às 16h (horário de Brasília), e Powell iniciará uma coletiva de imprensa meia hora depois para explicar a decisão sobre os juros e as perspectivas econômicas.
A reunião desta semana não inclui atualizações das projeções trimestrais sobre a economia e a política monetária, mas as estimativas divulgadas após a reunião de 9 e 10 de dezembro mostraram uma expectativa de apenas um corte de 0,25 ponto percentual na taxa de juros para 2026, em meio a uma grande divisão entre as autoridades.
Na reunião do mês passado, sete dos 19 membros do Fed indicaram que não seriam necessários mais cortes por pelo menos um ano, enquanto quatro disseram que provavelmente seria necessário apenas mais um corte, e oito disseram que a taxa precisaria cair pelo menos 0,5 ponto percentual em 2026.
O presidente dos EUA, Donald Trump, solicitou reduções imediatas e acentuadas na taxa de juros do Fed, mas a dispersão de opiniões entre as autoridades mostra o obstáculo que o substituto de Powell enfrentará para conseguir qualquer coisa além de cortes modestos.
Trump deve indicar alguém em breve para assumir o cargo quando o mandato de Powell como chefe do Fed terminar em maio, com audiências de confirmação no Senado dos EUA em seguida.
O processo foi dificultado pelo crescente antagonismo entre Powell e o governo Trump depois que foi divulgado que o Departamento de Justiça ameaçou o chefe do Fed com uma acusação criminal - uma medida que vários senadores republicanos apontaram como motivo para impedir a confirmação de seu sucessor, dada a ameaça implícita à independência do banco central.
A economia, por sua vez, continua a mostrar resiliência, apesar das preocupações no final do ano passado sobre o enfraquecimento do mercado de trabalho.
Como resultado, é improvável que tanto o novo comunicado quanto os comentários de Powell em sua coletiva de imprensa se comprometam com o momento ou a extensão de novos cortes nos juros, escreveu Michael Feroli, economista-chefe do J.P. Morgan, na semana passada.
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