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BC volta a elevar projeção de crescimento do PIB para 2,1% em 2025

Por Folha de São Paulo

26/06/2025 12h30 — em
Economia



BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O Banco Central voltou a elevar para 2,1% a sua projeção de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil para este ano. Essa também era a expectativa da autoridade monetária em dezembro, antes de revisar para baixo a sua estimativa. Em março, projetava um avanço de 1,9% para a economia brasileira em 2025.

O dado consta no relatório de política monetária divulgado pelo BC nesta quinta-feira (26). O documento, que substituiu o antigo relatório trimestral de inflação, continua sendo publicado trimestralmente.

De acordo com o BC, a revisão decorre de uma combinação de fatores. Cita, em primeiro lugar, as surpresas ocorridas no primeiro semestre, que resultaram em um desempenho ligeiramente acima do esperado. Além disso, considera a melhora na perspectiva da produção agrícola, com impacto "modesto, mas positivo" no PIB.

Puxada pela recuperação da safra agrícola, a economia brasileira acelerou o ritmo de crescimento para 1,4% no primeiro trimestre de 2025, na comparação com os três meses finais de 2024, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

"No início do segundo trimestre, o mercado de trabalho apresentou aquecimento mais intenso do que o antecipado, reforçando as perspectivas de resiliência do consumo das famílias", acrescenta.

Menciona também que as recentes mudanças nas regras do crédito consignado para trabalhadores do setor privado podem ter "algum impacto" sobre o consumo e o PIB, ponderando que há ainda um elevado grau de incerteza nesse ponto.

A projeção do BC sobre a expansão da economia é mais pessimista do que o último dado divulgado pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A SPE (Secretaria de Política Econômica) do Ministério da Fazenda prevê um crescimento do PIB de 2,4% neste ano.

A estimativa também está levemente abaixo das expectativas do mercado financeiro, que projeta um avanço de 2,21% em 2025, conforme o último boletim Focus. Em março, a estimativa dos agentes econômicos era de alta de 1,98% do PIB para este ano.

Na apresentação do relatório, o diretor de Política Econômica do BC, Diogo Guillen, ressaltou que os dados de atividade econômica para abril e maio apresentaram sinais mistos. Segundo ele, houve estabilidade em relação à indústria da transformação e queda em alguns índices de pagamento. Destacou também que os indicadores de confiança caíram bastante.

Apesar da revisão para cima do PIB, o BC diz que permanece a expectativa de desaceleração da atividade econômica ao longo do atual trimestre e do segundo semestre.

O esfriamento da economia está associado ao ciclo de alta de juros. Na semana passada, o Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu, por unanimidade, elevar a taxa básica (Selic) em um ritmo menor, de 0,25 ponto percentual, subindo os juros a 15% ao ano —o maior patamar desde julho de 2006.

A esperada moderação no crescimento doméstico também está ligada à perspectiva de moderação do crescimento global, à redução do impulso da agropecuária registrado no primeiro trimestre e ao reduzido grau de ociosidade dos fatores de produção.

No relatório, o BC alertou que a inflação seguirá acima do limite superior da meta nos próximos meses, começando a cair a partir do quarto trimestre, mas ainda permanecendo acima do alvo central.

A meta é 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Isso significa que a meta é considerada cumprida se oscilar entre 1,5% (piso) e 4,5% (teto).

De acordo com a projeção da autoridade monetária, a inflação acumulada em quatro trimestres cai para 4,9% no final do ano, 3,6% em 2026 e 3,2% no último período considerado, referente ao quarto trimestre de 2027.

Na comparação com o relatório anterior, de março, as projeções de inflação tiveram leve queda para este ano e para o próximo.

A autoridade monetária aponta 68% de probabilidade de o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) ultrapassar o limite superior da meta neste ano, em linha com o dado apresentado no relatório anterior, quando era de 70%. Para 2026, a chance passou de 28% para 26%, enquanto, para 2027, é de 17%.

Isso, contudo, não reflete mais a probabilidade de descumprimento da meta de inflação. No modelo de avaliação contínua, o BC descumprirá o objetivo caso o IPCA se situe fora do intervalo de tolerância por seis meses consecutivos (em qualquer mês do ano).

O BC revisou para cima a estimativa de crescimento do crédito no país neste ano para 8,5%, ante estimativa anterior de 7,7%. A nova projeção representa uma desaceleração do crédito em comparação ao desempenho do ano anterior, refletindo o cenário de menor crescimento do país e de aumento de juros.

A expectativa do crédito às famílias voltou a ser de 10% (a mesma de dezembro), contra projeção feita em março, de 8,5%. Para as empresas, a projeção foi revisada ligeiramente para baixo, de 7% para 6%.


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