RIO - O carro em que a vereadora Marielle Franco (PSOL) estava ao ser assassinada, há 42 dias, foi levado ontem para o Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), onde passa por novos exames periciais. Ontem, o Chevrolet Agile branco — dirigido pelo motorista Anderson Gomes, que trabalhava para a parlamentar e também acabou executado pelos bandidos — foi retirado do pátio da Divisão de Homicídios, na Barra da Tijuca, onde estava apreendido desde o crime. A remoção do veículo foi flagrada pela GloboNews.
Os investigadores não informaram o motivo do reexame, mas, segundo o “RJ-TV” da Rede Globo, novos fragmentos de munição teriam sido achados no automóvel. O material será comparado a balas de 9mm encontradas no local da execução para saber se pertencem a esses projéteis ou se são de outro calibre.
Para especialistas consultados pelo GLOBO, há duas hipóteses para o procedimento, além da busca por mais cápsulas: corrigir erro ou omissão na primeira perícia ou checar algum novo fato surgido durante as investigações. Para o presidente do Instituto de Criminalística e Ciências Policiais da América Latina, José Ricardo Bandeira, a segunda suposição parece a mais provável:
— Se apreenderam uma arma, por exemplo, irão periciar para achar fragmentos desta arma. Eles vão fazer um pente-fino. É possível, por exemplo, que um mesmo orifício tenha sido alvo de duas armas.
TEMPO DECORRIDO PREOCUPA
Perito criminal e ex-diretor do ICCE, Mauro Ricart ressaltou a importância de um exame pericial aprofundado, mas disse que, passados mais de 40 dias do crime, o exame pode ser ineficiente:
— Essa providência deveria ter sido feita no dia do crime. Nesse tempo todo, onde o carro ficou? Quem o manipulou? Foi acautelado? Peças de crime devem ser acautelas em local protegido. A preservação do local e das peças são pontos nevrálgicos.
O vereador Tarcísio Motta (PSOL) disse que, ao aprofundar a perícia, a polícia busca mais pistas:
— Melhor que uma resposta rápida é uma resposta correta.
Nos próximos dias, a Divisão de Homicídios realizará uma reconstituição do assassinato. A informação foi dada pelo secretário de Segurança, general Richard Nunes, durante desfile cívico realizado no último sábado, na Avenida Primeiro de Março, em homenagem a Tiradentes, padroeiro das forças militares. A reprodução simulada será no início de maio.
Marielle e Anderson foram mortos a tiros dentro de um carro no bairro do Estácio, na região central do Rio, por volta das 21h30 do dia 14 de março. De acordo com a polícia, criminosos em um carro emparelharam ao lado do veículo onde estava a vereadora e dispararam. Marielle foi atingida com pelo menos quatro tiros na cabeça. Anderson foi atingido nas costas por três balas. Os criminosos fugiram sem levar nada.

