BRASÍLIA — No julgamento de habeas corpus apresentado pela defesa de Sérgio Cabral para que ele volte a ficar preso no Rio de Janeiro, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF) voltou a acionar sua metralhadora giratória. Sobraram críticas para o juiz Marcelo Bretas, responsável pelo braço da Lava-Jato no Rio; para seu colega de corte, o ministro Edson Fachin; e para a "mídia opressiva". Ele também atacou quem critica o fato de haver um banheiro e uma privada na cela onde o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está preso em Curitiba.
— Há uma mídia assaz opressiva. Veja que o presidente Lula vai ter uma suíte, um banheiro. Gente, onde é que estamos com a cabeça?! O que nós estamos falando?! Aonde foi nossa sensibilidade?! Ah, "aborto é direitos humanos". Ter um banheiro, uma privada, onde é que nós estamos com a cabeça?! Um lado animalesco que está se manifestando em cada um de nós! É um tipo de perversão! Com vergonha que pessoas que foram alfabetizadas e tiveram três ou quatro refeições toda a vida se comportam desa maneira! Animalesca! São pervertidas! Talvez tenham outros problemas e aproveitam agora para fazer esse tipo de coisa. Isso não é correto. É preciso denunciar isso. Combater o crime sim! Punir sim! Mas respeite a dignidade da pessoa humana. Isso não pode ocorrer com o policial, muito menos com o juiz e o promotor — disse Gilmar, bastante exaltado.
A maior parte das críticas foi dirigida a Bretas. Ele destacou que o magistrado conseguiu um decisão judicial para receber auxílio moradia, mesmo sua esposa já tendo direito ao benefício.
— Houve a decisão (judicial autorizando auxílio moradia) . A AGU (Advocacia-Geral da União) não apelou. Não houve recurso de ofício. Não houve recurso de ofício. Esse processo só foi descoberto... Estamos falando de gente que há toda hora está dando lição de moral. Foi descoberto porque um procurador mandou ofício para saber quem estava recebendo — disse Gilmar.
O ministro Dias Toffoli concordou com ele.
— Minha mãe já falecida, quando ia à missa, tinha um padre que falava mal do tamanho da saia das moças. Minha mãe dizia: esse deve ser o mais tarado. O moralismo esconde coisas cruéis — disse Toffoli.
Gilmar não mencionou o nome de Fachin, mas criticou quem decreta prisão de quem tem entre 80 e 90 anos. Foi Fachin quem relatou a ação penal que resultou na condenação do deputado afastado Paulo Maluf (PP-SP), de 86 anos. Ele não está mais na cadeia graças a uma decisão do ministro Dias Toffoli, que lhe concedeu o benefício da prisão domiciliar, em razão da idade e do estado de saúde.
— Quem fala em direitos humanos e decreta prisão de quem tem 80 e 90 anos, se existe céu e existe Deus, vai ter que ajustar as contas — afirmou Gilmar.

