O presidente Bolsonaro reduziu os benefícios fiscais concedidos às indústrias de refrigerantes instaladas em Manaus. Era um golpe esperado. A Zona Franca sempre esteve num cage, levando socos frontais, mata-leão e joelhadas. Vai terminar na UTI pela simples razão de que o argumento para manter o modelo minimamente aceitável já não cola mais. Segundo as entidades da classe "é a responsável pela preservação de 97% da floresta em território amazonense”. Não é verdade.
Somente em 2020 o desmatamento no Estado somou 127.968 hectares, contra 124 mil em 2019.
Deve-se deixar de lutar por ela? Seria um suicídio, do ponto de vista econômico.
Mas não se pode dar palanque a políticos que estão apenas de olho na próxima eleição, ou a empresários que à frente de grandes corporações adotam discurso em defesa de um modelo que os beneficia grandemente e do qual somos, de certa forma, escravos.
Ou ao criar a Zona Franca em 1967 o governo federal decretou sua perenidade ? Não.Tudo era provisório. Mas a acomodação foi geral.
Já passaram 53 anos e ainda não temos um projeto alternativo de desenvolvimento.
Precisamos ter. Precisamos ser criativos. Não podemos assumir sempre essa condição de vítimas de uma suposta perseguição do governo federal ou de Estados ricos, como São Paulo.
Não somos perseguidos. A classe política é que é preguiçosa, malandra, medrosa, incapaz de aceitar desafios, de abraçar oportunidades.
É verdade que a ZFM permitiu que o Estado Amazonas montasse uma gigantesca máquina de arrecadação. O dinheiro flui como água, mas não gera contrapartidas na medida necessária. Serve para manter uma casta de funcionários públicos que come 70% da receita e goza de inúmeros benefícios.
Enquanto isso o povo passa fome, o tráfico cresce e mancha Manaus de vermelho…
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.




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