Sigmund Freud disse certa vez que “cada pessoa é um abismo. Dá vertigem olhar para dentro delas”. Eu discordo.Vejo retratos de mim...
Alguma coisa misteriosa interfere no comportamento das pessoas entre 23 e 31 de dezembro. Elas passam a olhar para os lados e sorrir. Conseguem abraçar, estender as mãos, falar com os outros. Por alguma razão a indiferença que marcou todo o resto do ano cede lugar a um estranho sentimento de solidariedade, amizade, compaixão.
Sigmund Freud disse certa vez que “cada pessoa é um abismo. Dá vertigem olhar para dentro delas”.
Eu discordo. Vejo retratos de mim, os defeitos que tenho, os lobos que se devoram dentro de mim. Um lado ruim que deve ser vencido e um lado bom que, se conquistado, criamos amigos, acabamos com as injustiças, revolucionamos o mundo, melhoramos a civilização.
O que precisamos mesmo é de um espelho que mostre além da aparência. Esse espelho surge nos últimos oito dias do ano. E se recolhe em seguida.
Venho notando isso há muito tempo. O espelho desaparece a meia noite do último dia do ano. Depois os corações endurecem e todos assumem o papel que lhes cabe, como personagens sem alma e sem compaixão…
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.




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