A falência de um governo ocorre menos pela forma como administra a economia e mais por se afastar dos cidadãos. Isso pode ser medido pelo nível de violência nas cidades, provocada pela interferência de um poder paralelo, organizado, que trafica, mata, estabelece normas de conduta e interfere na liberdade das pessoas.
O Amazonas é um exemplo típico da falência de um Estado incapaz de fazer frente as demandas da sociedade por segurança.
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Sua deteriorização é tão intensa, sua despersonalização é tão presente, sua fraqueza explorada pelos criminosos de forma abertamente desafiadora, que Manaus, dividida por zonas, avermelhou.
Os chefões governam, interferem na liberdade de ir e vir das pessoas e escolhem quem pode entrar ou sair de determinados bairros.
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Essa audácia tão explícita não ocorreria sem a chancela de agentes do Estado, cooptados pelas organizações criminosas.
Um governo tolerante com o crime é um governo rendido ou cúmplice. Prefiro apostar na primeira hipótese: rendição. Mas é uma aposta que perderia, se considerar que quando um assalto é tramado e executado dentro de uma secretaria do governo do Amazonas, é porque esse governo passou a flertar com o crime e utiliza de seus métodos.
Então, é hora de dizer basta!
O Superior Tribunal de Justiça vai decidir no próximo dia 20 de setembro se acolhe denúncia contra o governador do Amazonas. Ele é acusado de chefiar uma organização criminosa.
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Os cidadãos têm que se manifestar, fazer abaixo-assinado, mostrar sua indignação com a situação atual do Amazonas. Afinal, é preciso lembrar que a Justiça é cega, mas a sociedade, se mobilizando, pode tirar a venda dos olhos de alguns ministros que insistem em empurrar esse julgamento para um tempo no qual talvez o Estado Amazonas, como conhecemos, nem exista mais
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.


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