Num tempo em que os jovens morrem como moscas na periferia das grandes cidades, sugados pela violência, o grande desafio é chegar à velhice.
Se os jovens compreendessem que o tempo não se mexe como os ponteiros de um relógio, que o que passa são as oportunidades, olhariam para os velhos com respeito e admiração.
Como chegamos até aqui? Ouvi isso de dois homens de 90 e 94 anos, quando olhavam uma foto de formatura do que é hoje o ensino médio. Apontavam os que ficaram pelo caminho e desapareceram.
Tristeza e dor de repente espelhadas em olhos vermelhos e molhados que quase se fechavam. E um respirar intenso dos dois, enchendo o ambiente de pedaços de lembranças sufocantes.
Quero compartilhar isso porque é uma história que todos vivemos, com pais abandonados, tios desprezados, amigos esquecidos em asilos, quando podíamos compartilhar de cada história, das experiências que eles viveram, da sabedoria que conquistaram.
Eles não envelheceram sem vencer grandes batalhas, sem cair e levantar, sem ter que começar de novo mil vezes, sem ter vivido um grande amor.
Admiro os mais velhos pela história que carregam, pelos segredos que guardam, pela sabedoria que muitas vezes não têm com quem compartilhar. E um dia somem diante de nossa indiferença.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.


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