Bastidores da Política - UEA opta por ignorar suspeita de vazamento de provas e faz aposta no esquecimento


UEA opta por ignorar suspeita de vazamento de provas e faz aposta no esquecimento

Por RAIMUNDO DE HOLANDA

01/06/2021 18h30 — em Bastidores da Política

  • Não há razões para duvidar da inteireza da Comissão do Vestibular e dos procedimentos de segurança que cercaram o concurso. Mas é fato que houve um “incidente” lamentável, que se não foi vazamento foi algo muito próximo disso…

A Universidade do Estado do Amazonas peca ao esperar que a investigação sobre suspeitas de vazamento de provas - que deve demorar para ser concluída - coloque luz numa situação nebulosa, que afeta o conceito da instituição de ensino e coloca a atual reitoria em  situação delicadíssima.

Anular o concurso não significa, em hipótese alguma, admitir que houve o vazamento, mas a necessidade, premente, de afastar dúvidas e suspeições. O reitor Cleinaldo Costa deve ter a mínima noção da necessidade de mostrar atitude diante de uma situação que pode sair da esfera da UEA para a judicial, com inúmeros prejuízos para a instituição de ensino, com o seu previsível desgaste.

A reitoria da Universidade mantém a versão de que não houve vazamento e se apoia no fato de as fotos das provas divulgadas em um aplicativo de celular terem aparecido após o término da primeira fase do certame, as 17 horas de domingo.

Não há razões para duvidar da inteireza da Comissão do Vestibular e dos procedimentos de segurança que cercaram o concurso. Mas é fato que houve um “incidente” lamentável, que se não foi vazamento foi alguma coisa muito perto e desconstrói a narrativa de que está descartada a possibilidade da prova ter sido de alguma forma manipulada por alguém.

O alto índice de abstenção verificado no segundo dia de prova (48% dos matriculados não compareceram) ocorreu em meio a boatos nada edificantes espalhados nos aplicativos de mensagens e nas redes sociais. Um território livre para intrigas.

Mas é bom não esquecer que nas plataformas digitais não havia somente lixo. Nas referências  desabonadoras à UEA havia algumas muitas verdades, dúvidas, mágoa, revolta e desilusão com o poder público e com o ensino superior no Amazonas, pra lá de elitista.

Ignorar isso é duvidar da inteligência alheia.

Que o caso teve impacto nesse alto índice de faltosos, que já  mencionei ontem também e repito hoje: evidentemente que  teve.

A UEA faz uma aposta arriscada no esquecimento. Não é uma atitude inteligente…

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.