É legítimo que vereadores formem grupos e avalizem um nome para presidir a Câmara Municipal de Manaus. O desmanche na base do prefeito David Almeida, com a inesperada renúncia do seu líder na casa, Marcelo Serafim, indica uma gama de interesses em jogo, inclusive o processso sucessório que ocorrerá em 2 anos, quando David tentará a reeleição.
Surpreende que o prefeito venha atuando como mero observador, sem interferir no processo de eleição da Mesa Diretora, o que pode até ser louvável, considerando o respeito à separação e autonomia dos poderes. Mas há riscos que Almeida precisa considerar: há atores envolvidos que conspiram pelo seu impedimento e que constituem essas mesmas forças estranhas que estão empoderando um nome do baixo clero da Casa que, do dia para noite, tornou-se unanimidade na opinião de ao menos 19 vereadores.
Evidentemente que não cabe ao prefeito controlar a Câmara, mas manter com os vereadores uma relação republicana.
Uma Câmara hostil - da forma como está sendo projetada a futura Mesa Diretora - não impede apenas a construção de uma relação civilizada, tendo como base o respeito mútuo. Tem poder para paralisar o governo e minar interesses da sociedade de receber serviços públicos essenciais.
A Câmara é o poder que avaliza o orçamento, discute politicas públicas, faz emenda, propõe leis e é fundamental que atue sem o aparelhamento de grupos de interesse. Mas os sinais emitidos até aqui são estranhos..
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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