Um programa de tv, um bom livro, a vitória espetacular do Brasil sobre a Sérvia, um tempo para o sexo… o final de semana parecia o melhor dos últimos anos. Mas de repente uma tragédia, duas, várias, seguidas de espanto - parte de nossa hipocrisia de que somos bons e eles maus.
O atentado a uma escola no Espírito Santo por um adolescente que feriu ao menos dez pessoas e matou outras quatro, o filho que assassinou a mãe no Amazonas por causa de dinheiro, os diversos corpos encontrados em varadouros - uns 9 em apenas dois dias em Manaus - não é pouca coisa e causam, sim, indignação. Mas não suficiente para compreendermos a natureza desses crimes.
Os criminosos eram bons cidadãos antes de cederem à loucura. Como nós eles amavam os filhos, os pais, pensavam em futuro, tinham amigos e gostavam deles, mas eram ressentidos como muitos de nós, odiavam como muitos de nós e talvez como todos nós.
E o que os transformou em criminosos, se no espelho refletem o que também somos - bons e maus? Porque a luta contra o mal é diária, penosa e difícil.
Somos a toda hora tomados pelo ciúme, pela inveja, pela soberba, pela arrogância, pelos preconceitos, pelos cancelamentos. E se cedemos ao mal, fazemos o mal.
Ninguém é essencialmente bom, essencialmente justo essencialmente honesto. Ninguém, nem o mais severo sacerdote ou o mais afoito magistrado…
Mas se o mal vence - e em muitos aspectos sempre vence, é porque não admitimos que a violência só diminuirá se começarmos a revelar de forma didática às nossas crianças a nossa natureza má e boa. Nossos filhos precisam fazer prevalecer o lado bom que há neles e a encarar com coragem o mal que também há neles.
Amamos e odiamos na mesma medida. Lutar contra o mal não é lutar contra demônios, é lutar contra nossa natureza.
Não estou justificando ações criminosas. Estou alertando que o mal reside em todos nós e que a luta para mantê-lo adormecido é diária. Ou nos perderemos…
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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